
07 ago Criador de esquema global de sequestro de dados é condenado a 16 anos de prisão nos EUA
Um juiz federal em Alexandria, na Virgínia, nos Estados Unidos, condenou Maksim Silnikau a 16 anos de prisão por criar e operar o “Ransom Cartel”, uma operação de sequestro de dados estruturada em 2021. Trata-se de um modelo de crime cibernético em que criminosos se dividem em especialidades para invadir sistemas, bloquear o acesso a arquivos e chantagear as vítimas por dinheiro.
Entre 2021 e 2023, os conspiradores do esquema atacaram pelo menos 18 empresas, incluindo companhias baseadas na Califórnia, em Nova York e no Nebraska, além de organizações no exterior, de acordo com o Departamento de Justiça dos EUA.
Maksim Silnikau utilizava apelidos como “J.P. Morgan”, “lansky” e “xxx”, e estruturou o negócio para fornecer os programas de computador que bloqueiam telas, senhas de acesso compradas de terceiros. Em uma página secreta na internet, os parceiros acompanhavam os ataques, conversavam com as vítimas, dividiam o dinheiro extorquido e exigiam pagamentos em criptomoedas para devolver o acesso aos dados roubados.
A prisão de Silnikau ocorreu em julho de 2023, o que levou o réu a ser extraditado da Polônia para os EUA em agosto de 2024 para responder aos processos criminais. Ele permaneceu preso preventivamente e à disposição da justiça norte-americana durante os anos seguintes até o julgamento e a condenação, anunciados em agosto deste ano.
Vice-procuradora-geral, Lisa Monaco destacou a gravidade da atuação do réu no momento de sua extradição: “Como acusado, por mais de uma década, o réu usou uma série de disfarces online e uma rede de campanhas publicitárias fraudulentas para espalhar ransomware e aplicar golpes em empresas e consumidores dos Estados Unidos”, declarou.
Infraestrutura do cibercrime

A análise técnica da operação também revelou conexões e métodos complexos. Um relatório da equipe Unit 42 da Palo Alto Networks, de outubro de 2022, detalhou a infraestrutura utilizada pelos criminosos e identificou que os operadores possuíam acesso a códigos anteriores de outra gangue famosa.
Conforme os pesquisadores explicaram, a “análise de amostras do Ransom Cartel fornece evidências fortes de laços com o REvil também, sugerindo que havia uma relação entre os grupos em algum momento, embora possa não ter sido recente”.
Outros processos e co-réus
Além da condenação na Virgínia, Silnikau enfrenta acusações em um segundo processo federal pendente no Distrito de Nova Jersey, que investiga esquemas de publicidade maliciosa e fraudes eletrônicas de longa data.
Nesse segundo processo, um dos co-réus apontados com Maksim Silnikau pelas investigações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos é Volodymyr Kadariya.
Embora o foco principal da condenação recente de 16 anos seja a criação do “Ransom Cartel”, Kadariya é apontado como parceiro de Silnikau em outro esquema cibernético de grande porte: uma rede internacional de publicidade maliciosa e distribuição de vírus conhecida como o “Angler Exploit Kit”, que operou entre 2013 e 2022.
Por falar em falhas na segurança digital, um ataque ao npm afetou um ecossistema de código aberto e bilhões de instalações. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.