Falha de quase 20 anos no Linux permite acesso total a servidores e fuga de containers

Uma falha de segurança grave no código de rede do Linux presente há 18 anos foi divulgada publicamente. Catalogada sob o identificador CVE-2026-64564 e batizada de SCTPhantom, a vulnerabilidade afeta o protocolo SCTP e permite que usuários locais com acesso prévio ao sistema obtenham privilégios máximos de administrador. Além disso, também viabiliza a fuga de ambientes isolados de containers para alcançar a máquina hospedeira principal.

O problema ocorre devido a uma confusão lógica na forma como o sistema gerencia a memória ao processar comandos de rede. Quando o servidor recebe uma sequência específica de comandos de endereços IP, o núcleo do sistema descarta um espaço de memória e, por um erro de sincronia, acaba reutilizando esse mesmo espaço que já havia sido invalidado.

A descoberta foi realizada pelo Tencent Zhuque Lab com o auxílio do Corvus AI, um sistema de pesquisa automatizada baseado em inteligência artificial voltado para análises de código. Os autores do estudo conduziram testes práticos em várias distribuições populares para avaliar o impacto real da falha.

Opileamento de Pesquisa de Vulnerabilidades do Sistema Operacional (Reprodução/Corvus AI)

Em relatório técnico oficial, o laboratório detalhou o sucesso da exploração em ambientes controlados: “Seis de oito tentativas alcançaram privilégios de administrador no host”, afirmaram os pesquisadores ao divulgar os resultados.

A equipe identificou que a exploração funcionou mesmo mantendo perfis de segurança rigorosos e sem conceder permissões administrativas adicionais ao ambiente isolado. Segundo os especialistas do laboratório, a execução bem-sucedida “manteve o perfil padrão ativo e não concedeu nenhuma permissão especial ao container”, o que demonstra a gravidade do vetor de ataque quando combinado com o acesso básico aos sockets da rede.

Limitações e correções disponíveis

Escalada de privilégio local bem-sucedida em quatro distribuições Linux diferentes (Reprodução/Tencent)

Conforme aponta o relatório técnico da Tencent, a exploração possui barreiras operacionais importantes. O vetor exige que o invasor já possua algum nível de acesso local ao alvo e que o protocolo SCTP esteja ativado na infraestrutura. Como o protocolo funciona como um mecanismo para permitir que uma única conexão utilize vários caminhos de rede ao mesmo tempo, a exposição fica restrita a servidores que utilizam ativamente esse recurso específico.

A resposta da comunidade de desenvolvimento do kernel foi rápida. Correções oficiais foram publicadas no início de agosto nas versões estáveis recentes do sistema, especificamente nas compilações 7.1.6, 6.18.42, 6.12.101 e 6.6.148. A pontuação de gravidade calculada atingiu 8.5 em uma escala máxima de 10.

Fuga do contentor (Reproduçãp/Tencent)

O Tencent Zhuque Lab e os comunicados (advisories) oficiais de segurança do kernel recomendam que administradores atualizem imediatamente os pacotes dos servidores por meio dos gerenciadores de sistema. Caso o protocolo SCTP não seja necessário para a operação diária, a orientação adicional é desativar o módulo por completo para eliminar totalmente essa superfície de ataque.

Por falar em falhas na segurança digital, um ataque ao npm afetou um ecossistema de código aberto e bilhões de instalações. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.