
10 ago Que fim levou o telefone fixo, a forma clássica de ligar para outras pessoas?
Quando ouvimos falar atualmente sobre falar ao telefone, que já tem sido uma atividade cada vez mais rara, a primeira imagem que surge na cabeça de muitas pessoas pode ser a de um smartphone. Porém, por muitas décadas essa representação envolveu unicamente outro formato: o telefone fixo.
Formato original dessa tecnologia, esse produto e serviço foi a forma principal de comunicação à distância de residências, estabelecimentos comerciais e no meio corporativo ou organizacional. Ter um telefone fixo na sala, e talvez linhas a mais para privilegiados, era tão obrigatório quanto uma televisão ou geladeira.
Porém, hoje é cada vez mais raro entrar em uma residência e encontrar um desses aparelhos, ou até utilizá-los com tanta frequência. A seguir, contamos um pouco da importância dele para a sociedade, a evolução e também a situação atual da telefonia fixa ao redor do mundo.
O início e a popularização do telefone
O principal meio de comunicação até a primeira metade do século 19 era o telégrafo, um sistema de envio de mensagens por textos e códigos que já utilizava linhas para a transmissão. Porém, esse era um jeito mais rústico e menos acessível de falar com outras pessoas.
Após o desenvolvimento da tecnologia de envio de voz por esse sistema, a oficialização do telefone chega em 1876, quando o inventor Graham Bell ganha a patente da tecnologia. Essa é uma questão sensível até hoje, já que outros pesquisadores teriam desenvolvido ideias similares em paralelo, mas sem o devido reconhecimento ou compensação.
Em 10 de março de 1876, ocorreu a primeira chamada de um telefone: a mensagem “Sr. Watson, venha até aqui, eu preciso ver você” de Bell ao Thomas Watson, seu principal assistente. O sucesso da empreitada gera a criação da Bell Telephone Company, que passa a vender tanto os aparelhos quanto o serviço.
Foram muitos os avanços tecnológicos no campo nos anos seguintes. Em 1878, por exemplo, o engenheiro húngaro Tivadar Puskas cria a central telefônica: um sistema de telefonia que usava uma rede de cabos que conectava os assinantes de um serviço e era controlado por um atendente nas operações.

A pessoa que operava atendia a chamada como intermediário e conectava manualmente você com o outro lado. O emprego em centrais de telefonia, chamado de telefonista, foi por muito tempo mais ocupado por mulheres.
Foi com o passar dos anos que as telefonistas foram substituídas por sistemas automatizados de direcionamento das chamadas, identificadas ao você discar o número do destinatário. Além disso, o próprio aparelho passa por mudanças de design: os modelos de disco foram aos poucos trocados por um design mais moderno, que evolui até o telefone sem fio.
O acesso também foi mudando: por muitas décadas, ter uma linha telefônica em casa ou no trabalho era sinônimo de status, já que esse serviço era caro de ser adquirido e mantido — algo que aos poucos foi acabando, com a popularização e o barateamento do serviço.
A telefonia fixa no Brasil
O Brasil foi um dos pioneiros nessa tecnologia. O imperador Dom Pedro II estava na plateia da primeira demonstração de Bell, ficou impressionado com o sistema e foi um dos primeiros países do mundo a ter telefone, primeiro ligando a residência imperial com a dos ministros de Estado.
Além disso, em 1881, a Companhia Telefônica do Brasil começa a construir linhas telefônicas no Rio de Janeiro. Foi a primeira entidade a explorar o serviço de telefonia com fins comerciais no país.
Por décadas, a telefonia no país foi regionalizada, com empresas diferentes atuando dependendo do estado e algumas até sendo estrangeiras. O sistema da Telebras, que unificou e estatizou os serviços no começo da década de 1970, durou mais de duas décadas e junto da Embratel ajudou a expandir a rede no país.
A estrutura só muda em 1998, com a privatização do sistema de telefonia fixa no Brasil. Nesse ponto, surgem as operadoras privadas, que viram referência no fornecimento do serviço de telefonia fixa e também nas cobranças por chamadas à distância no mesmo país (a sigla DDD) ou internacionais (DDI).
O surgimento do celular e a substituição
Ao mesmo tempo, outra tecnologia de fazer e receber ligações começaria a baratear, com o diferencial da mobilidade. O telefone celular já existia há mais tempo, mas foi no fim da década de 1990 que ele se torna mais acessível — graças a aparelhos de marcas como a Nokia e tecnologias de conexão como a GSM.
Fora a chegada de cada vez mais fabricantes nesse segmento, e o uso do SMS para se comunicar por texto como outra uma vantagem contra o telefone fixo, essa tecnologia passa a concorrer com softwares para ligações nacionais e internacionais, em especial o Skype.

A oferta de formas de contatar alguém é ainda mais plural atualmente: no Brasil, o WhatsApp se consolidou como a forma de agrupar e sistematizar a comunicação em texto, áudio e vídeo entre duas ou mais pessoas.
O que aconteceu com o telefone fixo?
O telefone fixo está em queda livre de utilização e passando por mudanças tecnológicas ao redor do mundo, mas segue em operação para quem ainda precisa ou depende dessa forma de comunicação.
Em várias regiões, a conclusão é de que o custo de manutenção da infraestrutura original dessa tecnologia ficou insustentável. O uso de cabos de cobre (fios metálicos) é cada vez mais raro e restrito a poucas operadoras e municípios menores, passando para um modelo de comunicação VoIP. Países como Suécia, Alemanha e Noruega estão mais avançados nessa migração.
Um estudo da International Telecommunication Union (ITU) feito em 2025 demonstrou em números a situação média dessa tecnologia: assinaturas de telefonia fixa caem 3% ao ano e, no relatório, havia 10 a cada 100 habitantes com uma linha ativa.
A situação da telefonia fixa no Brasil
A telefonia fixa privada segue existindo no Brasil, com a possibilidade normal de adoção, contratação e manutenção de uma linha. Porém, esse é um segmento cada vez mais reduzido a poucas residências e nichos.
Dados da pesquisa PNAD Contínua do IBGE divulgada em 2025 confirmam a situação atual desse serviço no Brasil:
- O telefone fixo convencional está presente em 5,9% dos domicílios do país, contra 97,4% de casas que contam com ao menos um telefone celular;
- Esse percentual da telefonia fixa está em queda contínua desde 2016, quando ainda apresentava presença em 32,6% das residências;
- Além disso, 2,3% dos domicílios (ou 1,9 milhão) responderam que não tinham telefone (fixo ou móvel), em uma queda de 0,3% em relação a 2024.
A situação também mudou nos últimos anos do ponto de vista legislativo. Desde a já citada privatização, operadoras recebiam uma concessão de telefonia fixa — ou seja, um contrato público para ter o direito de ofertar o serviço, em troca de obrigações e metas de atendimento e cobertura.
Em 2019, com uma mudança na Lei Geral de Telecomunicações, o regime passa de concessão para autorização, algo mais compatível com a atual demanda. Tanto as gigantes do setor (Oi, Vivo, Claro) quanto as regionais tiveram essa mudança de forma gradual, finalizada em 2026.

Isso também impacta um serviço público importante: os orelhões, telefones instalados em locais públicos, já tinham um uso cada vez mais restrito no país e devem ser mantidos por poucos anos, somente em grandes cidades e locais onde ele ainda é um meio importante de comunicação.
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