
12 ago Chatbot sem IA usa 10 mil voluntários para responder perguntas dos usuários
Um chatbot que não usa inteligência artificial (IA), modelo de linguagem ou algoritmo para responder aos usuários já recebeu mais de 100 mil perguntas desde abril. Criado pelo ex-funcionário do Google Tucker Bryant, de 32 anos, o ChatTJB funciona com pessoas de verdade: Bryant e mais de 10 mil voluntários se candidataram para responder às mensagens enviadas pela plataforma, segundo a revista Fortune.
A ideia começou como um projeto artístico para questionar a dependência crescente de ferramentas de IA. A interface, no entanto, imita os chatbots tradicionais: o usuário escreve uma pergunta em uma caixa de texto e aguarda uma resposta. A diferença é que, do outro lado, não existe um grande modelo de linguagem. Inicialmente, era Bryant quem lia e respondia às perguntas. Com o aumento da demanda, voluntários passaram a assumir a tarefa.
De sátira a experimento sobre dependência da IA
A procura cresceu depois que Bryant instalou um outdoor de US$ 6 mil em São Francisco, EUA, para divulgar o projeto. Desde então, a lista de pessoas interessadas em responder às perguntas aumenta em cerca de mil nomes por dia. No pico, o ChatTJB chegou a receber mais de 5 mil solicitações por hora, volume que fez Bryant reduzir sua participação direta nas respostas. “No momento, parei de responder na maior parte do tempo”, disse à Fortune.

O projeto também brinca com a própria definição de IA. O outdoor apresentava o ChatTJB como uma “interface de bate-papo líder, impulsionada por IA”, mas uma observação explicava que a sigla significava “indivíduo médio”.
Para Bryant, a proposta ganhou outro significado quando usuários começaram a fazer perguntas pessoais e buscar respostas de seres humanos. Um dos casos que mais o marcou envolveu uma pessoa que, durante a lua de mel, perguntou se era normal não conseguir relaxar completamente. “Acho que foi naquele momento que o projeto começou a deixar de ser uma sátira surreal e se tornar um lugar onde as pessoas pudessem conversar seriamente com um ser humano bem-intencionado, ainda que inegavelmente comum”, afirmou.
A inspiração veio também da preocupação de Bryant com o que ele chama de “rendição cognitiva”, conceito associado à dependência das respostas fornecidas por sistemas de IA. Uma pesquisa de 2026 dos professores da Wharton Steven D. Shaw e Gideon Nave apontou que pessoas que utilizavam assistência de IA eram mais precisas quando a ferramenta estava correta, mas tinham uma queda de 15 pontos percentuais na precisão quando recebiam uma resposta errada, em comparação com quem não utilizava a assistência. Para Shaw, o ChatTJB não mostra que usuários prefiram tecnologias mais lentas, mas evidencia uma característica que os sistemas escaláveis tendem a retirar: a interação humana.
O ChatTJB não foi criado com objetivo de gerar lucro e, por enquanto, Bryant o considera um projeto artístico de curto prazo. A popularidade, porém, já despertou interesse de pessoas que querem participar ou ajudar a transformar a iniciativa em algo permanente. “Já conversei com algumas pessoas interessadas em trabalhar no projeto de diferentes maneiras”, disse Bryant à Fortune. Sobre uma eventual expansão, afirmou: “Se o parceiro certo quiser ajudar a transformar isso em um projeto sustentável, adoraria conversar com ele”.