
18 ago Criminosos investem milhões em sites ‘abandonados’ para espalhar golpes e vírus
Golpistas encontraram um atalho para espalhar programas maliciosos e atrair vítimas a partir de endereços da internet que parecem familiares e seguros. Um levantamento da empresa de inteligência em cibersegurança Infoblox revelou, na semana passada, que cibercriminosos compram domínios vencidos para herdar o histórico de navegação, a reputação positiva e o tráfego de antigos donos legítimos.
Durante o primeiro semestre de 2026, cerca de 50,4 mil endereços de terminações genéricas, como “.com”, foram registrados novamente a cada dia após a perda de validade. Quando somadas as extensões de países, a média sobe para cerca de 65 mil novos cadastros diários. O volume representa quase 20% do total de registros feitos diariamente no mundo, o que significa que um em cada cinco sites recém-adquiridos já teve um proprietário anterior.
“Esses domínios podem ser particularmente interessantes, até perigosos, porque herdam a reputação e por vezes conexões de sua vida anterior”, destacou a Infoblox, em relatório.
A empresa explicou que filtros de segurança e sistemas de proteção costumam tratar endereços antigos com mais confiança do que registros totalmente novos, brecha que os invasores exploram com frequência.
Perda de validade e leilões de sites
Um endereço perde a validade por motivos simples, como o encerramento de um negócio, a troca de funcionários responsáveis pelos cadastros ou o esquecimento de pagar a taxa de renovação anual. Plataformas como GoDaddy, Namecheap e DropCatch.com rastreiam essas datas e promovem leilões públicos para quem der o maior lance assim que o prazo de carência chega ao fim.
A prática atrai investidores e pesquisadores de segurança, porém abastece, ao mesmo tempo, quadrilhas. Entre os grupos identificados no estudo está o Sable Squirrel, que gastou cerca de sete milhões de dólares na compra de mais de dez mil domínios expirados.
Com base de operações ligada ao Vietnã, o grupo usou os endereços antigos para erguer redes ilegais de transmissão esportiva e atrair usuários para apostas e programas espiões. Na lista de compras do grupo estavam páginas abandonadas de antigas empresas de tecnologia, iniciativas de saúde e até marcas de cosméticos. Mais de 31 mil amostras de vírus e softwares de espionagem operaram conectados a essa infraestrutura.
“O grupo compra reputação por domínio, conecta tudo a uma máquina de transmissões ilegais que leva a sites de apostas e aproveita parte dessas páginas como suporte para vírus”, afirmou a Infoblox.
Páginas infectadas do passado
Além das grandes operações de transmissão, o relatório identificou redes oportunistas que compram páginas infectadas do passado para lucrar apenas com o direcionamento automático de visitantes.
O grupo Stuffy Squirrel, por exemplo, assumiu o controle de mais de 500 domínios desde 2020 para faturar com anúncios invasivos. Já o Shady Squirrel opera mais de 700 endereços voltados a golpes de falso suporte técnico, enquanto o Swiping Squirrel controla mais de 3 mil páginas para revender acessos a terceiros.
De acordo com os pesquisadores, a velocidade de reaproveitamento dessas páginas é alta. Quase 25% dos endereços comprados entram em atividade no mesmo dia do leilão e mais de 90% voltam ao ar em até duas semanas, o que confirma a pressa do crime organizado em lucrar antes que os sistemas de proteção identifiquem a troca de comando.
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