Nova patente da Meta para óculos inteligentes é ‘pesadelo de privacidade’

A empresa de tecnologia Meta teve uma nova patente registrada nos Estados Unidos que pode ser aproveitada em óculos inteligentes. Porém, como aponta o site 404 Media, o uso desse recurso seria mais uma das várias polêmicas em torno desses aparelhos.

Segundo a documentação oficial, a patente é um sistema para uma câmera que combina uma série de funcionalidades — incluindo reconhecimento facial, gravação automática de vídeos e criação de uma coletânea de filmagens pronta para ser conferida pelo usuário.

Procurada pela reportagem original, a Meta não comentou oficialmente o caso.

A patente da Meta para óculos do futuro

  • De forma resumida, a tecnologia permite que eletrônicos (muito possivelmente óculos inteligentes da marca, como os Ray-Ban ou Meta Glasses) usem reconhecimento facial para detectar automaticamente quem está no enquadramento da câmera;
  • Em seguida, dependendo da ação que essas pessoas fizerem, o sensor faz um registro em vídeo;
Uma das representações da tecnologia, com os óculos filmando momentos importantes. (Imagem: Reprodução/USPTO)
  • Por fim, o sistema consegue juntar vários desses vídeos em um material de “melhores momentos” que pode ser assistido e compartilhado. O exemplo citado pela Meta na patente é o de uso desse recurso em uma festa em forma de jantar para amigos;
  • A identificação de que cenas são consideradas relevantes e até mesmo as pessoas mais importantes em um grupo seria feita com base em algoritmos e dados previamente coletados.

Por que isso é tão polêmico?

O registro de patentes não significa necessariamente que a companhia vai implementar essa tecnologia ou lançar um produto relacionado: ela pode ser apenas uma forma de proteger propriedades intelectuais ou ser uma funcionalidade que não passou do período de testes.

Ainda assim, a ação já gerou comentários por quem critica a falta de privacidade em torno de pessoas usando esses dispositivos. A patente, por exemplo, não esclarece se os óculos estarão gravando pequenos clipes de forma constante até “identificar” um gesto ou indivíduo que mereça ser guardado.

Atualmente, a companhia está em um período turbulento para a divisão de óculos inteligentes, na tentativa de não associar esse tipo de produto apenas aos usos criminosos e polêmicos já atribuídos a eles. É o caso de filmagens sem autorização ou até casos de assédio.

A Meta já testou um sistema de reconhecimento facial, com códigos dessa ferramenta identificados pela Wired, mas tirou as menções ao recurso depois da denúncia. Além disso, ela segue trabalhando para implementar meios de impedir que usuários escondam ou modifiquem o LED frontal que avisa quando um usuário está gravando.

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