
19 ago ‘Não há como ganhar’: funcionários do Walmart reclamam de IA da empresa
A implementação de ferramentas de inteligência artificial para auxiliar trabalhadores e automatizar processos internos vem gerando reclamações entre funcionários do Walmart nos Estados Unidos, como noticiou o Business Insider na terça-feira (18). Muitos afirmam que precisam fornecer contexto, corrigir erros e treinar os sistemas para que eles funcionem adequadamente.
Uma parcela crescente dos 1,6 milhão de contratados da varejista já lida com a tecnologia por meio do aplicativo MyWalmart instalado nos celulares corporativos. Os assistentes virtuais definem metas, distribuem tarefas, organizam o trabalho e identificam em que tarefas cada pessoa é mais eficiente, mas a interação com esses recursos tem sido complicada em alguns casos.
Ao Business Insider, um porta-voz da empresa disse que acompanha os relatos dos contratados e se baseia neles para implementar melhorias, com a abordagem incluindo visitas às lojas e sessões regulares de escuta para entender como a tecnologia funciona em cenários reais. Ele também ressaltou não existir punição para quem deixa de seguir as orientações da IA.
Principais reclamações
De acordo com a reportagem, os agentes de IA do Walmart não compreendem as particularidades do trabalho, mesmo em tarefas simples como a reposição de produtos. Isso envolve conferir datas de validade, trocar os itens danificados, limpar a poeira e eventuais derramamentos, entre outras coisas.
- Tais atividades podem demorar, inclusive pelo surgimento de imprevistos, mas os bots autônomos definem um tempo mais curto como se o funcionário apenas colocasse mercadorias em espaços vazios, segundo os relatos;
- Quem atua nos centros de distribuição também tem queixas, afirmando que a IA estabelece rotas nada eficientes, gerando deslocamentos desnecessários;
- Dessa forma, o tempo projetado pelo sistema para a separação dos produtos comprados online é quase impossível de cumprir;
- “Isso vai te levar para todos os lugares. Não há como ganhar nesses casos”, reclamou uma funcionária entrevistada.

Há, ainda, dificuldades enfrentadas por motoristas do Spark, serviço de entregas do Walmart. Um deles afirmou que a “rota inteligente” escolhida pelo bot frequentemente o instrui a coletar itens congelados no início do trajeto, facilitando o descongelamento dos produtos.
O agente de IA que monitora câmeras e sensores de segurança também foi alvo de críticas. Como explicou a funcionária responsável pelo mecanismo, o sistema emite tantos alarmes falsos que ela passou a ignorá-los, o que pode ser um problema se for identificado algo relevante.
Sem punições para quem não seguir a IA
Segundo Brooks Forrest, vice-presidente de ferramentas para funcionários do Walmart, as lojas possuem autonomia para utilizar a IA da maneira mais conveniente. Ele disse, também, que a varejista valoriza o feedback dos usuários e tenta se adequar às sugestões e pedidos.
“Não punimos as pessoas por não seguirem as orientações técnicas. A tecnologia está aí para ajudá-los, mas, em última análise, a decisão sobre o que fazer é deles”, afirmou Forrest à publicação.
Uma pesquisa da United for Respect, que atua na defesa dos trabalhadores, mostrou mais de 85% dos entrevistados afirmando não confiar que o Walmart considera suas necessidades ao desenvolver a IA. Por outro lado, 40% disseram estar empolgados com a tecnologia, esperando que ela facilite o trabalho.
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