
22 ago Rockstar tem semana de terror por causa dos vazamentos de GTA 6 por Cyberleek! Entenda polêmica
A Rockstar Games viveu uma das semanas mais turbulentas da história de GTA 6. A poucos dias de finalmente mostrar o primeiro grande gameplay oficial do jogo, a desenvolvedora foi surpreendida por uma sequência de vídeos e materiais não autorizados que começaram a circular pela internet e, em vez de diminuir, só aumentaram com o passar dos dias.
O responsável pelas publicações usa o nome Cyberleek e afirma ter acesso a uma versão jogável de GTA 6. Os materiais incluem vídeos de Jason dirigindo, brigando, voando de avião e interagindo com o mundo do game, além de imagens que supostamente mostram o mapa de Leonida e outros detalhes ainda não revelados oficialmente.
Só que existe uma segunda camada nessa história: os vazamentos também estão sendo usados para promover uma criptomoeda chamada $CYBERLEEK. Enquanto o grupo diz estar protestando contra decisões da indústria, como o fim da mídia física e a dependência de servidores, a moeda já movimentou milhões de dólares. E, segundo informações da Bloomberg, a própria Rockstar ainda não conseguiu descobrir quem está por trás da operação ou exatamente como o material foi obtido.
Cyberleek continua vazando GTA 6 antes da revelação oficial
Tudo começou na terça-feira, 18 de agosto, quando vídeos de uma suposta versão de GTA 6 começaram a aparecer nas redes sociais. Entre as cenas estavam Jason jogando basquete, dirigindo e partindo para cima de NPCs, além de imagens que alegavam mostrar uma versão completa do mapa de Leonida.
A Take-Two rapidamente começou a enviar notificações de direitos autorais para remover o conteúdo. O movimento ajudou a dar ainda mais credibilidade aos arquivos, especialmente em um momento em que vídeos falsos de GTA 6 gerados por inteligência artificial estão cada vez mais convincentes.

Mas os vazamentos estavam apenas começando. Nos dias seguintes, Cyberleek publicou novas gravações mostrando combate com faca, taser, perseguições policiais, veículos, um avião e diversos sistemas aparentemente presentes no jogo.
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Vazamentos sugerem acesso a uma build jogável
O ponto mais preocupante para a Rockstar veio quando um dos vídeos mostrou Jason disparando contra uma parede para escrever “LEEK” usando os buracos de bala. A brincadeira com o nome Cyberleek foi interpretada como uma espécie de demonstração de que o responsável não tinha apenas vídeos antigos em mãos, mas acesso a uma build jogável de GTA 6.
Isso não significa necessariamente que Cyberleek tenha uma versão completa e atualizada do game. A idade do material continua incerta, e há indícios de que parte dos arquivos pode ter sido produzida há bastante tempo. Ainda assim, ter acesso a uma build funcional seria consideravelmente mais grave do que simplesmente possuir gravações internas.
Os vídeos também revelaram detalhes curiosos, como um sistema de combustível para veículos, armazenamento e loadouts de armas, interações diferentes com NPCs, mudanças no sistema de procurados e até a possibilidade de a polícia identificar Jason por roupas, aparência e veículo. Um dos vazamentos ainda mostrou a droga Zombix, usada para recuperar vida, mas com efeitos reduzidos após usos repetidos.
Sétimo vazamento mostra até clube de strip tease
E a torneira não foi fechada. No sábado, 22 de agosto, Cyberleek publicou o sétimo vídeo da sequência, desta vez com cerca de dois minutos de duração, mostrando novamente um carro de alto desempenho, roubos de lojas, abastecimento do veículo e colisões em câmera lenta.
O trecho mais curioso aparece no final: por cerca de dez segundos, a gravação mostra Jason entrando em um clube de strip tease. É mais uma pequena amostra de uma atividade que ainda não foi apresentada oficialmente pela Rockstar e que, assim como os outros materiais, pode acabar sendo removida das redes por reivindicações de direitos autorais.
A sequência também reforça uma característica curiosa dos vazamentos: Cyberleek parece estar liberando pequenas partes do jogo de forma deliberada, guardando determinados trechos para publicações posteriores. Até agora, por exemplo, a personagem Lucia praticamente não apareceu nas gravações, o que já alimentou teorias entre fãs sobre o quanto o responsável realmente consegue acessar.
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Bloomberg: Rockstar ainda não sabe quem está por trás do Cyberleek
Segundo reportagem de Jason Schreier, da Bloomberg, a Rockstar ainda não identificou o responsável pelos novos vazamentos nem descobriu exatamente como a invasão aconteceu. Uma pessoa familiarizada com a estratégia da companhia afirmou que a situação mobilizou a administração, que está trabalhando para descobrir a origem dos arquivos e rastrear quem está por trás deles.
A Take-Two também estaria buscando informações de Microsoft e Discord por meio de medidas legais para tentar identificar o responsável. Até o momento, porém, não há confirmação pública de que Cyberleek tenha sido identificado ou de que alguma prisão tenha acontecido.

A situação é especialmente frustrante para a Rockstar porque a empresa passou os últimos anos reforçando seus protocolos de segurança justamente por causa do gigantesco vazamento de GTA 6 ocorrido em 2022. Mesmo com todas essas mudanças, uma nova sequência de materiais internos conseguiu chegar à internet poucos meses antes do lançamento.
Funcionários da Rockstar estão frustrados com o novo vazamento
O problema não ficou restrito à direção da empresa. De acordo com Schreier, funcionários da Rockstar estão frustrados e exaustos com a situação, especialmente porque a companhia havia adotado medidas bastante rígidas depois do incidente de 2022.
Entre elas estava o retorno dos desenvolvedores aos escritórios cinco dias por semana e o fim do trabalho remoto para atividades relacionadas ao desenvolvimento. A justificativa era justamente diminuir os riscos de novos vazamentos e impedir que ferramentas e builds do jogo fossem acessadas fora do ambiente controlado da empresa.
Agora, mesmo após essas mudanças controversas, GTA 6 voltou a ser alvo de uma grande exposição de materiais internos. Um dos principais executivos da Rockstar enviou uma mensagem aos funcionários condenando o vazamento e tentando preservar o ânimo da equipe, reforçando que o incidente não deveria diminuir o trabalho realizado no desenvolvimento do jogo.
Cyberleek diz protestar contra a indústria, mas promove criptomoeda
A motivação declarada pelo grupo também chama atenção. Em seu manifesto, Cyberleek critica o avanço das versões digitais, a ausência de discos físicos, conteúdos pagos e a possibilidade de jogos perderem funcionalidades quando servidores são desligados.

O grupo chegou a exigir mudanças da Rockstar e afirmou que os vazamentos continuariam caso suas reivindicações não fossem atendidas. O problema é que toda essa campanha também está diretamente ligada à promoção de uma memecoin.
Os vídeos e publicações trazem referências à $CYBERLEEK, enquanto o grupo afirma que o dinheiro arrecadado seria utilizado em um suposto “projeto secreto” e para se proteger de possíveis retaliações corporativas. A justificativa, porém, não esclarece quem controla os recursos ou como eles seriam utilizados.
Memecoin já movimentou mais de US$ 22 milhões
A criptomoeda se tornou um dos elementos mais controversos da história. Dados acompanhados pelo mercado apontam que o token já movimentou cerca de US$ 22,1 milhões desde o início da campanha de vazamentos, embora movimentação financeira não signifique necessariamente que esse valor tenha sido arrecadado pelos responsáveis.
A combinação entre anonimato, grande repercussão e uma memecoin extremamente volátil naturalmente levanta dúvidas sobre as reais intenções da campanha. A organização Stop Killing Games, que também é citada no manifesto de Cyberleek, chegou a criticar publicamente a utilização dos vazamentos para promover o ativo.
Também existem perfis falsos nas redes sociais tentando se passar pelo grupo. Algumas contas chegaram a publicar materiais que posteriormente foram apontados como possíveis imagens geradas por IA, o que torna ainda mais difícil determinar quais canais realmente estão ligados à origem dos arquivos.
Novo vazamento é diferente do ataque de 2022
É importante não confundir Cyberleek com o responsável pelo enorme vazamento de GTA 6 ocorrido em setembro de 2022. Naquela ocasião, hackers associados ao grupo Lapsus$ conseguiram acessar sistemas da Rockstar e roubar uma enorme quantidade de material do jogo, incluindo dezenas de vídeos e informações internas.

O ataque acabou levando à identificação de Arion Kurtaj, que tinha 18 anos na época e posteriormente foi condenado no Reino Unido a internação hospitalar por tempo indeterminado. O caso provocou uma mudança profunda nos protocolos internos da Rockstar e se tornou um dos maiores vazamentos da história da indústria.
Em dezembro de 2023, a companhia também enfrentou outro episódio envolvendo GTA 6: o primeiro trailer do jogo vazou na internet pouco antes da estreia oficial. A Rockstar decidiu antecipar a publicação do vídeo no YouTube, mas o incidente novamente expôs a dificuldade de manter informações sobre o projeto em segredo.
Rockstar mantém plano para o gameplay oficial de GTA 6
Apesar da turbulência, a Bloomberg afirma que a Rockstar não pretende alterar imediatamente sua estratégia de marketing. A apresentação especial de GTA 6 continua prevista para 27 de agosto, em uma parceria com a Netflix que promete apresentar um novo olhar sobre o game.

A desenvolvedora também não teria planos de adiar a revelação por causa dos vazamentos. O jogo segue com lançamento marcado para 19 de novembro, enquanto a equipe continua trabalhando para finalizar o projeto.
Até lá, a situação provavelmente continuará parecendo uma perseguição de seis estrelas: Cyberleek segue publicando material, a Rockstar tenta descobrir a origem dos arquivos e a Take-Two trabalha para retirar as cópias da internet. A grande incógnita agora é quanto material ainda está nas mãos do responsável — e se o próximo vazamento será apenas mais uma curiosidade ou algo capaz de revelar partes importantes de GTA 6 antes da hora.