IA precisa de ‘momento iPhone’ para ser mais popular, diz Sam Altman

O gerente executivo da OpenAI, Sam Altman, segue confiando no potencial do mercado de inteligência artificial (IA) e nas transformações dessa tecnologia no cotidiano. Porém, o responsável pelo ChatGPT também acredita que o setor pode e precisa crescer ainda mais.

Em entrevista para o podcast de David Senra no último domingo (23), Altman admitiu que errou nas previsões sobre quando a IA estaria adotada em um nível suficiente para revolucionar a economia global. Ele ainda acha que o momento vai acontecer, mas agora sem tanta segurança sobre um período.

Para o executivo, mudar hábitos de comportamento e consumo do público “é muito mais difícil do que os nerds de tecnologia acham“, já que há um sentimento de inércia na economia.

“As pessoas continuam fazendo as mesmas coisas, compram da mesma empresa e querem continuar usando suas ferramentas da mesma maneira. Acho que isso é, na verdade, algo positivo em muitos aspectos, fará com que essa grande transição que temos pela frente ocorra de forma mais suave e gradual, e sou grato por isso. Mas acredito que isso significa que todos nós fomos ambiciosos demais em relação aos prazos“, defende.

Lições da Apple

Segundo ele, uma estratégia ou abordagem diferente precisa ser feita para que esse convencimento aconteça. “Como área, não temos feito um bom trabalho ao explicar às pessoas quais são os benefícios e como as desvantagens podem ser mitigadas”, argumenta o CEO.

  • Altman comparou esse desafio ao que a Apple fez em 2007 ao revelar ao mundo o iPhone. Ele não foi o primeiro smartphone do mercado, mas teve uma combinação de elementos de hardware, funcionalidades e marketing que o tornou uma referência e fez o público querer ter um celular inteligente mais do que nunca;
  • “Temos todos os componentes tecnológicos, mas ainda não tivemos o ‘momento iPhone’ de mudar completamente a forma como as pessoas interagem com a tecnologia“, comenta o executivo;
  • Atualmente, a OpenAI tem mais de 1 bilhão de usuários ativos e lidera o segmento de chatbots, com uma receita crescente ainda distante do lucro, mas que dá esperanças para a futura abertura de capital;
  • Na mesma entrevista, Altman admitiu que ainda lida com e-mails manualmente, mesmo tendo IAs da própria empresa que poderiam fazer esse trabalho.

O posicionamento de Altman, cuja empresa trabalha em futuros aparelhos que serão focados em uso de IA, é compartilhado por figuras como Jensen Huang, da Nvidia. Para ele, as empresas estão ‘assustando as pessoas’ com discursos negativos e cortes de empregos, o que dificulta a aceitação da tecnologia.

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