
26 ago CEO do Instagram diz não saber que equipe escondia dados de jovens no app
Executivos do Instagram prestaram depoimento durante o julgamento encarado pela Meta nos Estados Unidos. O CEO da plataforma, Adam Mosseri, respondeu nesta terça-feira (25) questões dos advogados e da juíza do caso sobre o uso do app por menores de idade.
A participação era esperada na ação judicial, que foi aberta contra a Meta por mais de 20 estados e acusa a plataforma de prejudicar crianças e adolescentes a partir de uma série de recursos de plataformas como o Instagram, além de priorizar o lucro em vez da segurança dos usuários.
No depoimento, Mosseri disse desconhecer acusações de que funcionários do Instagram eram aconselhados por advogados da empresa e esconder ou remover dados de apresentações feitas ao executivo. As informações seriam justamente as que comprovariam problemas no serviço em relação ao bem-estar e segurança dos jovens.
Em um caso de 2023 citado como exemplo, a empresa notou que um “público desproporcionalmente alto” de adolescentes estava vendo posts sobre temas como distúrbios alimentares e automutilação, em uma taxa 1,5x maior do que adultos. Um advogado, porém, teria pedido que esse detalhe fosse removido antes de ser exibido ao chefe.
Apesar de rejeitar a ideia de que ele era poupado desses detalhes, o gerente admitiu que o corpo jurídico da empresa consultava a apresentação antes dele e que essas pessoas não seriam as mais indicadas para definir quais dados podem ou não ser tirados de um relatório de segurança e design.
“Eu não estou tentando incentivar minha equipe a esconder nada. Acredito que, quando há implicações jurídicas relacionadas a um determinado trabalho, o procedimento é que advogados revisem o material”, argumenta o CEO.
Por outro lado, ele também admitiu que o Instagram limitou a quantidade de colaboradores que têm acesso a certos dados de pesquisas para “ninguém tirar nada de contexto”. Essa medida foi tomada depois de 2021, quando a ex-funcionária Frances Haugen vazou documentos corporativos que já traziam práticas questionáveis da Meta.
“Fazer uma pausa”
Mosseri também foi questionado sobre recursos que foram implementados pelo Instagram ao longo do tempo e eram destinados para jovens, mas não tinham a efetividade esperada.
A função abordada foi a “Fazer uma pausa” (ou “Take a break”, em inglês), que estabelece um limite de tempo de uso ou quantidade de posts visualizados. Segundo dados da Meta, só 1,8% dos usuários inicialmente ligaram o recurso depois que ele foi adicionado, em 2021.
Os funcionários consultados reconheceram falhas na adoção, embora tenham adotado posturas diferentes no julgamento.
- O diretor de design de produto do Instagram, Francesco Fogu, alegou que não sabia com precisão qual foi a porcentagem máxima de uso da ferramenta — o que levou a juíza Yvonne Gonzalez Rogers a duvidar da postura dele, por ser justamente o responsável por supervisionar essa e outras criações;
- Um ex-cientista de dados da Meta, George Volichenko, falou no tribunal que a taxa de adoção do botão entre jovens era “muito baixa e desapontante“, além de ser “fácil de ser ignorada“;
- Já Mosseri confirmou que o recurso tinha “uma taxa de utilização decepcionantemente baixa, que foi significativamente melhorada” após ele ser ligado por padrão. Isso só aconteceu no fim de 2024, depois até da abertura do atual processo contra a empresa.
Como o resultado do julgamento da Meta pode mudar as redes sociais da empresa? Entenda nesta matéria!