Elden Ring Tarnished Edition faz milagre no Nintendo Switch 2

Certos jogos impactam nossas vidas de um jeito tão marcante que dá vontade de apagar da memória as experiências incríveis pelas quais passamos para viver tudo de novo, como se fosse a primeira vez. Tenho certeza de que Elden Ring, o último grande soulslike da FromSoftware, consta na lista de muita gente como um dos games que gostaríamos de esquecer só para poder jogar novamente. 

Não é exagero dizer que Elden Ring foi um divisor de águas e redefiniu o jeito de fazer mundos abertos, com um poder de influência equiparável ao de The Legend of Zelda: Breath of the Wild. A partir do momento em que o jogador é largado nos campos de Limgrave, com poucas pistas sobre o que fazer, o level design primoroso entra em ação e o conduz organicamente a uma longa jornada pelas Terras Intermédias.

É um sentimento de liberdade que poucos meios de entretenimento, além do videogame, conseguem proporcionar com tanta maestria. Lembro como se fosse ontem de quando fui atacado por dragões, de quando descobri que existia outro mapa nas profundezas e das horas que dediquei a enfrentar Malenia, a Lâmina de Miquella. Sabe qual é a melhor parte disso? Agora posso reviver tudo isso com um pequeno console nas mãos. 

Antes de tudo, recomendo que você acesse a análise do Voxel redigida pelo grande Vinicius Munhoz, meu amigo pessoal, na qual ele destrincha o jogo e expõe todas as suas qualidades e seus raros defeitos. Segundo ele, apesar de não ser perfeito (afinal, qual jogo é?), Elden Ring proporciona uma das aventuras mais fantásticas dos games, representando uma evolução natural do gênero (e eu compartilho da mesmíssima opinião). 

O tempo a mais de desenvolvimento salvou Elden Ring no Switch 2

Nas primeiras builds de Elden Ring, criou-se uma comoção nas redes sociais em torno de seu visual e desempenho. Que tipo de concessões a FromSoftware precisaria fazer para que a experiência se tornasse ao menos aceitável num videogame híbrido? Estamos falando de um jogo que exige estabilidade, justamente por depender de reflexos e movimentos muito precisos do jogador. 

Fiquei positivamente surpreso tanto com os gráficos quanto com a performance de Elden Ring no Nintendo Switch 2, sobretudo depois de ter visto as limitações da versão preliminar que havia sido testada na Gamescom de 2025. Não sou o Digital Foundry, tampouco tenho as ferramentas necessárias para realizar as medições, mas o título se manteve estável em 30 fps praticamente o tempo todo no modo portátil, com um ganho extra de desempenho no dock.

Desempenho e visual fazem milagre 

De verdade, mesmo em situações caóticas, como quando enfrentamos uma enxurrada de inimigos no trajeto para o Castelo Tempesvéu, não houve um travamento sequer que me atrapalhasse e comprometesse minhas habilidades. Pelo contrário, jogando no modo portátil, deitado na cama antes de dormir, tive uma experiência tão agradável quanto a que tive na TV, no lançamento, em um PlayStation 5.

Ainda não terminei o jogo base e, naturalmente, não cheguei à expansão Shadow of the Erdtree, mas pude enfrentar ao menos uma dezena de chefes, incluindo alguns principais, relacionados à história, e secundários, encontrados em masmorras. Nas muitas vezes em que morri, não foi por culpa do jogo ou por problemas na taxa de quadros, mas sim por falta de prática. No fim das contas, era eu quem precisava melhorar, não o game rodando no Switch 2. 

 

Sinto que o DLSS do console está suando para fazer o upscale para resoluções mais altas, potencialmente 1440p, enquanto fica em 1080p no modo portátil, o máximo que a tela do Switch 2 é capaz de exibir. A nitidez em ambos os modos fica evidente e realça a beleza incomparável das Terras Intermédias. Os jogos da FromSoftware estão longe de ser referência técnica, mas são impecáveis na direção de arte. 

Mesmo se mostrando um port incrivelmente competente, há algumas pequenas ressalvas. O tamanho das legendas na tela pequena, por exemplo, pode atrapalhar a leitura de diálogos e das descrições dos itens. O alcance visual, por sua vez, o tal do draw distance, não tem a mesma qualidade dos consoles mais parrudos, o que era esperado. Para um jogo de mundo aberto em que tudo no horizonte é alcançável, porém, isso às vezes incomoda. 

Vale a pena? 

Elden Ring Tarnished Edition entrega um resultado impressionante no Switch 2, mantendo qualidade visual e desempenho dignos de sua grandeza. Um jogo com esse escopo, convenhamos, mostra que o console atual da Nintendo está apto a receber adaptações tecnicamente exigentes, contanto que sejam otimizadas e tenham o tratamento adequado. Elden Ring e Cyberpunk 2077 são grandes exemplos disso. 

Nota: 90

Pontos positivos (Prós):

  • Visual e desempenho preservados, sem muitas concessões;
  • Performance estável no modo portátil (que era a grande preocupação);
  • O pacote inclui a expansão e novas classes;
  • Permanece sendo um dos melhores jogos dos últimos tempos.

Pontos negativos (Contras):

  • Textos miúdos na tela pequena;
  • Limitações na nitidez de objetos e composições distantes.

Uma cópia de Elden Ring Tarnished Edition foi gentilmente fornecida pela Bandai Namco para o propósito de análise no Nintendo Switch 2.