
26 ago Falha no NVIDIA NemoClaw permite que hackers assumam controle de agentes de IA
Pesquisadores de segurança da Oasis Security revelaram uma falha crítica no NVIDIA NemoClaw, ferramenta utilizada para rodar o agente autônomo OpenClaw. A brecha possibilita que invasores assumam o controle total do servidor de inteligência artificial (IA) do usuário sem exigir qualquer tipo de autenticação.
Para que a invasão ocorra, é necessária apenas uma única visita da vítima a uma página fraudulenta na web. A vulnerabilidade foi catalogada oficialmente como CVE-2026-65105 em relatório publicado nesta terça-feira (25). A Nvidia recebeu o relatório antes de sua publicação; até o momento, não houve patch de correção.
O sistema da NVIDIA usa o programa Ollama para processar modelos de IA diretamente no computador do usuário, sem enviar dados para a internet. Para proteger a máquina, o NemoClaw cria um ambiente isolado chamado OpenShell, que funciona como uma sala separada para o agente trabalhar. No entanto, para conectar essa área de trabalho ao modelo de processamento de linguagem, a ferramenta destrava os canais de rede de forma ampla e deixa a porta de entrada acessível para conexões externas.
A brecha de rede e o desvio no navegador
Durante a instalação, o programa exibe uma mensagem informando que funciona apenas no endereço fechado do computador. Na prática, o serviço passa a aceitar requisições vindas de fora da máquina. O servidor de IA opera sem senha, pois contava com filtros automáticos do navegador para barrar páginas maliciosas.
A vulnerabilidade se instala porque, ao liberar a comunicação para toda a rede, o sistema desativa automaticamente a principal barreira de segurança. Com a proteção fragilizada, os criminosos aplicam uma técnica de redirecionamento no site fraudulento em que a página engana o navegador para fazê-lo reconhecer a conexão externa como se fosse uma comunicação interna da máquina. O navegador autoriza o tráfego e entrega o controle do sistema de IA aos invasores.
A partir desse acesso, a página maliciosa consegue extrair dados do sistema, utilizar a capacidade da placa de vídeo para tarefas do invasor, descarregar arquivos pesados até esgotar o armazenamento e apagar modelos salvos. Outros dispositivos conectados à mesma rede de internet também conseguem atingir o serviço diretamente.
Comandos ocultos e permanentes
A consequência mais grave ocorre na adulteração do modelo de IA. Em vez de enviar uma ordem passageira, que seria descartada na tarefa seguinte, os invasores alteram a matriz que traduz as conversas. O comando criminoso é incorporado na base do sistema e passa a ser lido junto com todas as instruções futuras que o usuário enviar, sem alterar a interface original da ferramenta.
No relatório técnico oficial, a equipe da Oasis Security destacou a gravidade da manobra: “O resultado é que um invasor que nunca encosta na máquina da vítima passa a direcionar o agente de inteligência artificial a partir daquele momento”, descreveu.
O chefe de pesquisa da Oasis Security, Elad Luz, explicou ao portal Hackread que a manipulação atinge um nível invisível aos mecanismos de proteção convencionais. “A mudança ocorre uma camada abaixo de qualquer coisa que um sistema de proteção ou um operador humano possa enxergar.
O risco corporativo além do isolamento
A pesquisa alerta que o ambiente fechado da NVIDIA protege os arquivos do computador físico, mas não impede que a IA utilize as permissões de trabalho concedidas ao agente autônomo. Caso a ferramenta tenha acesso a contas da empresa na nuvem, serviços de e-mail ou plataformas de desenvolvimento de software, o modelo manipulado pode inserir erros ocultos na programação, silenciar alertas de perigo e enviar dados confidenciais para servidores externos.
“O isolamento em contêiner protege o ponto de acesso, mas o acesso autorizado concedido ao agente define o verdadeiro raio de destruição de uma invasão”, reforçaram os pesquisadores, no documento institucional.
Diretor executivo da empresa de segurança Acalvio, Ram Varadarajan avaliou que o avanço desses sistemas exige revisões profundas de governança: “As organizações devem tratar um agente de inteligência artificial como herdeiro de toda a confiança e de todas as fraquezas dos sistemas aos quais ele tem acesso”, alertou.
A Oasis Security confirmou que reportou todas as descobertas à equipe de resposta a incidentes de segurança da NVIDIA antes da divulgação pública do caso.
Por falar em segurança no universo digital, criminosos usam contas do Notion e PDFs com links ocultos para roubar senhas. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.