
26 ago OpenAI perde chefe de data centers em nova onda de saídas de executivos
A OpenAI perdeu Chris Malone, executivo que comandava sua área de data centers, em mais um movimento de saída de profissionais de alto escalão da empresa. Segundo o The Wall Street Journal, Malone deixou a companhia na semana passada, após cerca de um ano e meio no cargo.
A saída ocorre enquanto a OpenAI acelera seus investimentos em infraestrutura para inteligência artificial (IA) e amplia sua participação no Projeto Stargate, iniciativa de US$ 500 milhões voltada à construção de data centers nos EUA.
Reorganização muda comando da infraestrutura
Malone chegou à OpenAI em março de 2025, depois de quase cinco anos na Meta e mais de uma década no Google. De acordo com o The Wall Street Journal, ele deixou de se reportar diretamente ao presidente da OpenAI, Greg Brockman, durante uma reorganização da área, e passou a responder ao vice-presidente Sachin Katti, que assumiu a liderança do grupo.
Em comunicado enviado à TechCrunch, a OpenAI afirmou que havia “recentemente reorganizado” sua “estrutura para suportar a escala e o ritmo do nosso trabalho”. A empresa acrescentou: “Temos uma equipe de data center forte e experiente, com liderança clara e a expertise técnica necessária para executar nossos planos”.
A área comandada por Malone é estratégica para a OpenAI porque a expansão da capacidade de processamento é uma das principais exigências para o desenvolvimento e a operação de modelos de IA. A empresa participa do Projeto Stargate ao lado de Oracle, Nvidia, SoftBank e Microsoft.

Segundo o The Wall Street Journal, outros executivos passaram a dividir responsabilidades pela estratégia de data centers, entre eles Uday Ruddarraju, responsável pela equipe de data centers; Brent Mayo, que lidera a construção e entrega das instalações; e Spas Lazarov, que comanda a engenharia de data centers e tem experiência nos setores de infraestrutura e energia.
A saída de Malone se soma a uma sequência de mudanças na liderança da OpenAI em 2026. O Business Insider contabilizou 13 saídas de executivos previstas para este ano, várias delas concentradas nos últimos meses. Entre os nomes que deixaram a empresa estão Brad Lightcap, um dos executivos mais antigos e ex-diretor de operações; Denise Dresser, que ocupava a diretoria de receita havia apenas oito meses; e Fidji Simo, que atuava como diretora de produto e negócios e era considerada uma das principais executivas da companhia. Simo deixou o cargo por motivos de saúde e permanece como consultora.
A rotatividade também atingiu áreas de segurança, ética e produtos. Em julho, Chloé Bakalar deixou a posição de chefe de ética. Na semana passada, foi noticiado que a OpenAI desmantelou sua equipe de preparação, responsável por avaliar riscos potencialmente catastróficos associados aos modelos da empresa.
Outros executivos saíram após o encerramento de projetos, como Bill Peebles, que comandava o Sora, gerador de imagens da OpenAI. Em abril, a diretora de marketing Kate Rouch também deixou a companhia. Segundo relatos citados na reportagem, algumas dessas saídas ocorreram por motivos de saúde ou após mudanças na estratégia dos projetos.
A sequência de desligamentos ganha peso porque ocorre enquanto a OpenAI se prepara para uma possível abertura de capital. A empresa, que tinha uma oferta pública inicial prevista originalmente para 2026, adiou o plano para 2027 e enfrenta questionamentos sobre sua avaliação e sobre a capacidade de transformar os investimentos bilionários em IA em lucratividade.
O cofundador Greg Brockman afirmou recentemente que a atenção concentrada sobre a OpenAI faz com que “cada saída é analisada de uma forma que não seria em outras circunstâncias”. Ainda assim, a saída de Malone, responsável por uma área central para os planos de expansão da empresa, reforça as dúvidas sobre a estabilidade da atual estrutura de liderança.