GTA 6 é tão grande que até a Rockstar se surpreende com o jogo: “Não sei se alguém conhece tudo”

Grand Theft Auto 6 ainda nem chegou às lojas, mas a quantidade de detalhes revelados pela Rockstar já dá uma ideia do tamanho do projeto. Em uma entrevista ao IGN, Rob Nelson, chefe de desenvolvimento e co-chefe da Rockstar North, contou que o mundo do jogo é tão grande e cheio de sistemas que até mesmo integrantes da equipe continuam sendo surpreendidos pelo que acontece durante as partidas.

A situação aconteceu durante uma demonstração de aproximadamente 30 minutos realizada com o veículo especializado. Enquanto apresentava diferentes atividades de Jason e Lucia, Nelson decidiu mudar de caminho no meio do passeio e acabou encontrando uma possibilidade de gameplay que ele próprio não havia experimentado daquela maneira.

O episódio é curioso porque mostra uma das principais apostas da Rockstar para GTA 6: fazer com que o jogador não dependa apenas de missões marcadas no mapa para encontrar conteúdo. A ideia é criar um mundo capaz de conectar sistemas, personagens e atividades de maneira tão orgânica que algumas situações simplesmente apareçam durante a exploração.

Rockstar diz que GTA 6 é grande demais para ser completamente conhecido

Durante a demonstração, Nelson estava levando Jason e Lucia pela cidade quando os personagens passaram perto de um pátio policial. Jason sugeriu que os dois poderiam roubar um carro no local, mudando completamente os planos que o desenvolvedor tinha para aquela parte da apresentação.

“Foi realmente emergente para mim quando passamos por aquele estacionamento e Jason sugeriu que fizéssemos aquele trabalho”, explicou Nelson. Segundo ele, a ideia original era seguir até uma loja de penhores, mas a sugestão do personagem fez com que ele mudasse de direção.

O mais interessante é que o próprio desenvolvedor afirmou que ainda não tinha ouvido aquela fala de Jason daquela forma. “O jogo é tão grande que não sei se existe alguém na equipe que conhece tudo”, disse Nelson ao comentar a situação.

Mundo aberto de GTA 6 quer surpreender até quem está jogando há anos

A declaração de Nelson ajuda a entender uma mudança importante na filosofia de GTA 6. Em vez de construir um mundo em que todas as possibilidades são apresentadas ao jogador por objetivos, ícones e marcadores, a Rockstar pretende deixar parte da experiência escondida na própria interação entre os sistemas.

Isso aparece em diversos momentos da entrevista. Jason e Lucia podem sair para fazer atividades juntos, roubar estabelecimentos, procurar carros para vender, explorar a cidade, estudar animais, praticar esportes ou simplesmente caminhar pelo mapa. Algumas dessas situações também podem surgir enquanto o jogador está fazendo outra coisa.

A Rockstar parece estar tentando levar ainda mais longe uma característica que já era bastante marcante em Red Dead Redemption 2: a sensação de que o mundo continua funcionando mesmo quando o jogador não está seguindo a história principal. Nelson explicou que GTA 6 foi pensado para que o jogador possa “simplesmente existir” no mundo como Jason ou Lucia.

O caso do estacionamento policial é apenas um exemplo da maneira como a Rockstar está tentando aproximar o mundo aberto das missões. Na mesma demonstração, Nelson mostrou que Jason e Lucia podem receber oportunidades de roubo, encontrar personagens e descobrir atividades sem necessariamente seguir um marcador específico.

A diferença é importante porque, em jogos de mundo aberto, liberdade nem sempre significa que o mundo realmente reage ao jogador. Muitas vezes, existe uma enorme quantidade de conteúdo disponível, mas ele continua organizado em uma lista de atividades que precisam ser ativadas manualmente.

Em GTA 6, a Rockstar quer reduzir essa sensação. “Estamos tentando, o máximo possível, fazer com que pareça que você é esses personagens, não apenas nas missões e na história, mas no mundo aberto tanto quanto quiser”, explicou Nelson ao IGN.

Rockstar quer que missões e mundo aberto funcionem de forma parecida

Essa filosofia também aparece no desenvolvimento das missões, segundo o estúdio. Nelson explicou que a equipe está tentando fazer com que determinadas sequências usem os mesmos sistemas disponíveis durante a exploração, evitando que o jogo pareça mudar completamente de funcionamento quando uma missão começa.

Em uma das situações citadas pelo desenvolvedor, uma missão de perseguição pode sugerir uma rota para o jogador seguir, mas não exige necessariamente que ela seja respeitada. Da mesma forma, sequências de roubo podem utilizar sistemas de procurado e fuga que também estão disponíveis quando o jogador decide cometer um crime por conta própria.

Segundo Nelson, a equipe está tentando “borrar as linhas entre diferentes tipos de conteúdo”, fazendo com que as atividades do mundo aberto e a narrativa pareçam partes de uma experiência única.

O mundo de GTA 6 também vai reagir ao jogador

Outro ponto destacado na entrevista é que o jogador não será necessariamente a figura mais perigosa de Vice City e das outras regiões de Leonida. NPCs poderão reagir a situações de violência, testemunhar crimes, chamar a polícia e até interferir em acontecimentos que começaram por iniciativa do jogador.

Em determinado momento da demonstração, Nelson interagiu com um grupo de NPCs e outro personagem percebeu a situação, sacou uma arma e entrou na confusão. O desenvolvedor explicou que esse tipo de comportamento faz parte da tentativa de criar um mundo em que as pessoas tenham suas próprias reações e interesses.

“O mundo vai agir sobre você, assim como você age sobre o mundo”, afirmou Nelson. Para ele, GTA anteriores faziam com que o protagonista parecesse quase onipotente fora das situações envolvendo a polícia, enquanto GTA 6 pretende criar mais imprevisibilidade.

GTA 6 quer recompensar quem simplesmente explora

A consequência disso é que algumas das melhores situações do jogo podem não estar necessariamente relacionadas ao caminho mais rápido para terminar a campanha. A própria Rockstar diz que jogadores que gastarem tempo explorando poderão encontrar acontecimentos e atividades que não são apresentados diretamente por objetivos ou ícones no mapa.

Nelson comparou essa proposta à experiência de Red Dead Redemption 2, que ganhou uma espécie de segunda vida para muitos jogadores justamente por esconder boa parte de suas possibilidades fora da campanha principal. Para ele, GTA 6 também foi construído pensando em pessoas que querem voltar ao jogo várias vezes e descobrir coisas novas.

É difícil saber, antes do lançamento, até que ponto essa promessa vai funcionar na prática. Mas o fato de um dos responsáveis pelo desenvolvimento admitir que o próprio jogo ainda consegue surpreendê-lo é, no mínimo, um sinal interessante. Afinal, se GTA 6 realmente conseguir conectar seus sistemas dessa maneira, talvez o caminho seja tão importante quanto a próxima missão.

GTA 6 tem lançamento marcado para 19 de novembro no PS5 e Xbox Series S e X. E aí, você está ansioso para o game? Comenta aí!