Jogo brasileiro Deep Dish Dungeon traz mergulho nas sombras com gameplay viciante

Publicado pela Raw Fury e desenvolvido pelos brasileiros da Behold Studios (Knights of Pen & Paper, Chroma Squad), Deep Dish Dungeon é um dungeon crawler que apresenta todos os requisitos para agradar os jogadores que gostam de jogos do gênero sobrevivência e exploração.

Passei a última semana explorando masmorras profundas, enfrentando monstros, cozinhando, resolvendo puzzles, fabricando armamentos e quebrando a cabeça para avançar neste jogo que pode se tornar um dos hits indies deste verão.

Com lançamento previsto para 13 de outubro, Deep Dish Dungeon chega para PC via Steam, Xbox Series X|S e Xbox Game Pass. Eu recebi cópias do jogo para PC, com as quais pude me aventurar nesta masmorra profunda ao lado de um amigo, experienciando tanto solo quanto multiplayer, para trazer a vocês o meu relato sobre o que os aguarda nesta obscura – mas divertida – aventura.

Dungeons sem Dragons

Uma masmorra profunda e sombria da qual nunca ninguém retornou. Você toparia integrar o grupo que irá se aventurar através dessas esquinas obscuras? Se a resposta for sim, seja bem-vindo a Deep Dish Dungeon!

O novo jogo da Behold Studios nos apresenta uma aventura de exploração e sobrevivência dentro de uma masmorra originada das ruínas de um antigo reino, mas que agora é habitada por monstros, mistérios e muitos tesouros.

Embora a história não seja o elemento principal – assim como outros jogos do gênero -, Deep Dish Dungeon não deixa de entregar o suficiente para que o jogador tenha curiosidade de continuar explorando e conhecendo mais sobre a masmorra. Através de cartas de outros aventureiros e manuscritos podemos nos aprofundar na lore, apenas o necessário para que sejamos integrados ao ambiente e nos sintamos parte daquele ambiente.

Mesmo sem uma narrativa complexa, Deep Dish Dungeon tem um charme clássico, se valendo do que já é de conhecimento geral sobre masmorras, exploração, monstros, armas e armaduras medievais. Esse clima conhecido ajuda o jogo a não ter que ficar se explicando ou criando um imaginário, e assim se concentrar no que realmente interessa: o gameplay.

Encarando o abismo

O progresso é lento e calmo em Deep Dish Dungeon – e isso é maravilhoso! Nada, absolutamente nada aqui é guiado. Talvez alguém que esteja experimentando um jogo de sobrevivência e exploração pela primeira vez fique perdido no início. Mas não se desespere, logo você pega o ritmo e entra no fluxo do jogo.

Deep Dish Dungeon premia a curiosidade, como a própria Behold Studios diz na página do jogo no Steam. Você verá itens para coletar, alimentos para cozinhar e comer, armas que podem ser criadas e melhoradas, tudo parte da lógica para jogos do gênero.

O core do jogo é justamente essa sensação de liberdade que faz com o que o jogador tenha que tentar e tentar até chegar na melhor solução. E ela nem sempre é engessada, possibilitando ao jogador experimentar diferentes alternativas para chegar ao mesmo objetivo. Isso fica muito óbvio logo nos primeiros minutos de jogo, quando você se depara com caixas de madeira e tábuas longas dispostas pelo cenário unicamente para que você possa usá-las da maneira mais criativa possível para acessar lugares altos ou trespassar buracos.

Ao se deslocar você deve tomar cuidado e sempre carregar uma tocha. Elas tem um tempo útil de vida, ao apagar podem deixar você na completa escuridão, então você deve administrar isso de maneira estratégica. A escuridão é um dos inimigos mais perigosos, escondendo monstros e nos fazendo perder recursos, mas também auxiliando na hora que temos que nos esconder e ser furtivos, pois aqui a iluminação e nossa movimentação podem denunciar a nossa localidade.

Outro ponto que devemos ficar sempre atentos é quanto a nossa alimentação e hidratação. Como em todos os jogos de sobrevivência, você deve construir uma combinação adequada de prepararemos de alimentos e água para que sua vida e stamina estejam sempre com valores altos e você possa encarar os desafios com mais vigor.

Já o combate é o mais simplista possível: ataca, defende, atira e corre; enfrentando esqueletos, aranhas, morcegos, moreias e escorpiões. E é isso, nada mais – e nem precisa. Lógico que a astúcia do jogador pode implementar um certo molho ao usar o cenário e tentar combinar os ataques com os amigos, quando jogar no cooperativo.

Já a progressão é o que mais me encanta, pois temos um grande cenário, que é a masmorra. Ali podemos montar acampamento, cozinhar, montar uma mesa de confecção, guardar nosso alimento para que não apodreça, melhorar nossas armas e armaduras e guardar nosso espólio. No entanto, para além disso, logo no cenário inicial temos muitos locais que não são acessíveis e temos que progredir, conseguir novos itens e voltar para abrir novos caminhos, seguindo o estilo metroidvania.

E como disse antes, nada é explícito ou com um pop-up dando dicas do que você deve fazer. Você tem que analisar o que está em volta e procurar uma solução. E isso pode complicar um pouco mais, pois nem mapa temos no jogo. Ou seja, você deve decorar os cenários e os caminhos pelos quais passou. Mesmo no cooperativo, não sabemos onde estão nossos amigos, o que faz com que tenhamos que nos comunicar o tempo todo para nos localizar.

A idéia é transformar a exploração em algo orgânico, através de tentativa e erro. Essa é a essência de Deep Dish Dungeon.

Vale a Pena?

Deep Dish Dungeon é um jogo de seu tempo. Ele embarca na onda de jogos de sobrevivência cooperativos, consegue se conectar ao gênero e trazer um gostinho nostálgico ao adotar uma estética que remete a jogos com gráficos de eras passadas.

Em Deep Dish Dungeon a Behold Studios mostra uma clara evolução, além da ambição de explorar diferentes temáticas em suas obras: Out of Space nos traz caos, risadas e um ambiente aconchegante; já em Cosplay Club temos carisma e complexibilidade no gameplay. Todo esse aprendizado faz com a Behold Studios consiga apresentar jogos sólidos e que podem despertar, no mínimo, curiosidade do público.

Adentrar essa masmorra sombria na última semana tem sido uma das minhas atividades recentes mais divertidas. E digo isso não pelo gameplay em si, mas pela sensação que o jogo traz. Ao jogar me sinto desafiado de uma maneira honesta, me fazendo pensar e estar ali, concentrado e atento a cada detalhe. Além disso, esse é um jogo que me deixa calmo. Ao jogar solo me sentia imerso no ambiente, apenas existindo para conhecer mais sobre a masmorra. No cooperativo me sentia impelido a colaborar para nosso progresso, principalmente nas batalhas, soltando risadas a cada surpresa num canto escuro.

Não posso dizer que o novo jogo da Behold Studios é um grande passo da indústria – e isso nem é necessário -, mas é sim um grande passo e acerto para os desenvolvedores brasileiros, que merecem toda a atenção que terão ao lançar Deep Dish Dungeon. É claro que existem detalhes a serem lapidados, como mais opções de acessibilidade (embora o desafio seja bom, torna o jogo distante de certos públicos), mas não acredito que isso atrapalhe a experiência pretendida pelos desenvolvedores.

No final o objetivo de Deep Dish Dungeon é reunir e divertir através de uma gameplay simples, mas com um ambiente que desafia a astúcia do jogador. Para aqueles que gostam de jogos de sobrevivência, esse jogo é uma nova oportunidade para conhecer um mundo cativante – e sombrio – na companhia de amigos que pretendem ter bons momentos juntos. Para fãs do gênero ou mesmo para aqueles que só têm curiosidade, Deep Dish Dungeon é uma ótima aventura para se viver.

Nota da Voxl: 80

Pontos Positivos (Prós):

  • Level design curioso, te faz explorar
  • Desafiador ao propor criatividade do jogador
  • Boa pedida para se jogar no cooperativo

Pontos Negativos (Contras):

  • Falta de narrativa
  • Necessita de pequenos ajustes no deslocamento e interação com objetos
  • Pequena variedade de inimigos

Deep Dish Dungeon está disponível para PC via Steam, Xbox Series X|S e Xbox Game Pass. Cópias do jogo para PC foram cedidas pela Raw Fury para a realização deste texto.