
15 out Com fase no Brasil, Crazy Taxi World Tour dá vida a sonhos que não eram possíveis nos anos 90
Crazy Taxi: World Tour vai levar a tradicional corrida maluca de táxis para novos cenários, incluindo uma fase inspirada no Brasil. Durante a Brasil Game Show (BGS) 2026, o VOXL conversou com Kenji Kanno, criador do Crazy Taxi original e produtor do novo jogo, sobre a evolução da franquia e os desafios de adaptar uma série nascida nos anos 1990 para o público atual.
Anunciado durante a conferência de imprensa da BGS, o mapa brasileiro será o quarto de cinco cenários internacionais disponíveis na campanha para um jogador, chamada World Tour. A novidade promete misturar paisagens urbanas, praias e referências a estabelecimentos conhecidos do país, como Habib’s, Fogo de Chão e Fast Shop.
A conversa também passou pelas novidades de Crazy Taxi: World Tour, que terá modo história e multiplayer, dois recursos que exigiram mudanças importantes na estrutura da franquia. Kanno ainda contou como foi pesquisar o Brasil para o novo mapa, revelou suas primeiras impressões sobre a cultura local e recebeu uma sugestão gastronômica que pode render uma ideia inusitada para o jogo.
Como a equipe criou o mapa brasileiro de Crazy Taxi: World Tour?
A fase brasileira foi um dos principais anúncios de Crazy Taxi: World Tour durante a BGS 2026. O cenário promete combinar áreas urbanas movimentadas com litorais e paisagens naturais, além de incluir referências a marcas conhecidas do público brasileiro e cenários turísticos, desde as Cataratas do Iguaçu até praias do litoral.
Apesar de ter apresentado o novo mapa no evento, Kanno explicou que a pesquisa não aconteceu exatamente como gostaria. O produtor não teve tempo de conhecer o Brasil pessoalmente durante o desenvolvimento e também não conseguiu organizar uma viagem da equipe para vivenciar o país antes de criar o cenário.
“Hoje em dia, já que estamos conectados à internet e podemos obter todos os tipos de informações, existem vídeos e guias que apresentam vários aspectos da história do Brasil, bem como atividades em andamento, e eu tenho assistido a muitos deles”, contou. Segundo ele, apesar de não ter andado de táxi nas ruas do país, a pesquisa incluiu informações sobre a política brasileira e diferentes aspectos da realidade local.
A equipe também contou com a colaboração de pessoas que cresceram no Brasil e trabalhavam na Sega. Kanno explicou que conversou com esses profissionais para entender melhor as experiências e as particularidades do país, incorporando os relatos ao processo de criação do mapa.
A abordagem foi importante para complementar as pesquisas feitas pela internet com referências de quem conhece o Brasil de perto. Ainda assim, o produtor reconheceu que gostaria de ter experimentado pessoalmente a atmosfera brasileira antes de desenvolver a fase.
Habib’s, Fogo de Chão e Fast Shop aparecem no mapa brasileiro
O mapa do Brasil será o quarto de cinco cenários internacionais da campanha World Tour. De acordo com o anúncio da SEGA durante a Brasil Game Show 2026, os jogadores poderão reconhecer referências a paisagens urbanas, praias e estabelecimentos conhecidos enquanto aceleram pelas ruas do cenário.
Entre as marcas confirmadas estão Habib’s, Fogo de Chão e Fast Shop, que se juntam às lojas presentes no restante do jogo. A presença desses estabelecimentos mantém uma tradição da franquia, que utiliza comércios e referências do mundo real para dar personalidade aos ambientes.
Em comunicado divulgado durante a BGS, Kanno comentou que o contraste entre as cidades brasileiras e a natureza local serviu de inspiração para a equipe. “O contraste marcante entre as paisagens urbanas densas e ecléticas do Brasil e a vida urbana moderna inspirou profundamente a nossa equipe”, afirmou o produtor.
Ele também destacou a intenção de representar o país de maneira que combine energia e diversão. “Tentamos apresentar a beleza do Brasil por meio de uma performance energética e original, de uma forma que seja divertida e envolvente, mas não exageradamente engraçada. Espero que vocês tenham a oportunidade de jogar e curtir.”
Criador de Crazy Taxi gostou de caipirinha e pão de queijo
A entrevista do VOXL também teve espaço para uma conversa mais descontraída sobre a experiência de Kanno no Brasil. Durante o bate-papo na BGS, o produtor disse estar gostando de conhecer o país e destacou as pessoas que encontrou durante a viagem, que incluiu até uma visita a bares de São Paulo.
Questionado sobre suas comidas e bebidas brasileiras favoritas até o momento, ele mencionou a caipirinha e o pão de queijo. A conversa ganhou um rumo inesperado quando o ele pediu uma recomendação gastronômica, que já estava na ponta da minha língua: capirinha de rapadura.
A sugestão despertou a curiosidade de Kanno, que chegou a comentar que a bebida poderia ser um ótimo item para aparecer em Crazy Taxi: World Tour. Ainda não há indicação de que a bebida será incluída no jogo, mas a ideia combina com o espírito descontraído da franquia e mostra como até uma conversa rápida pode render possibilidades criativas.
Crazy Taxi: World Tour traz sonhos que não eram possíveis nos anos 90
Enquanto Kanno se divertiu em sua viagem ao Brasil, adaptar uma franquia tão associada aos fliperamas e aos consoles de gerações anteriores não foi uma tarefa simples. Segundo Kanno, a equipe encarou dois grandes desafios no desenvolvimento de Crazy Taxi: World Tour: criar uma campanha com história e, pela primeira vez, incorporar um modo multiplayer à experiência.
“Desta vez, ao criarmos o novo Crazy Taxi, assumimos dois desafios. O primeiro foi, após 18 anos, introduzir um modo história pela primeira vez, fornecendo conteúdo ativamente para consoles domésticos, aproximando-nos do mercado global e tornando [a experiência] mais divertida”, explicou o produtor.
O segundo desafio foi atender a um pedido antigo dos fãs. “O outro desafio foi incorporar o modo multijogador, algo que era solicitado desde o primeiro jogo. Aceitamos esse desafio e, ao fazê-lo, percebemos que o antigo Crazy Taxi era melhor”, contou Kanno, destacando como a equipe precisou avaliar cuidadosamente o que deveria mudar e o que precisava continuar fiel à identidade da série.
A dificuldade, portanto, não estava apenas em modernizar os gráficos ou adicionar conteúdo. Era necessário preservar a sensação de velocidade, o caos e a diversão imediata que fizeram de Crazy Taxi uma franquia tão reconhecível, ao mesmo tempo que o jogo ganhava novas possibilidades.
Multiplayer foi um dos maiores desafios do novo Crazy Taxi
Transformar a experiência de um jogo originalmente focado em um único jogador em uma disputa multiplayer exigiu repensar a maneira como os participantes interagem. Para Kanno, esse foi um dos pontos mais trabalhosos do desenvolvimento, principalmente por causa da velocidade dos veículos e das curvas extremamente rápidas que fazem parte da jogabilidade.
“No modo multijogador, o foco principal é criar oportunidades para os jogadores interagirem uns com os outros, seja competindo contra si mesmos ou contra alguém com um nível de habilidade semelhante”, explicou. O objetivo era fazer com que os encontros entre os participantes acontecessem de maneira natural, sem comprometer o ritmo frenético que define a franquia.
O produtor também destacou a dificuldade de combinar diferentes elementos em uma mesma experiência, aproximando a disputa de uma corrida e incorporando sistemas relacionados a táxis e perseguições policiais. Encontrar uma maneira de fazer tudo isso funcionar dentro das regras de Crazy Taxi foi um desafio importante para a equipe.
A proposta mostra como o novo jogo pretende ir além de simplesmente colocar vários táxis na mesma pista. O multiplayer precisa criar situações em que os jogadores possam competir e interferir uns nos outros, sem transformar a velocidade característica da série em um obstáculo para a diversão.
O resultado, felizmente, funciona muito bem. O jogo da Sega entrega uma experiência divertida em sua nova versão, misturando nostalgia e modernidade.
Quando Crazy Taxi: World Tour será lançado?
Crazy Taxi: World Tour está em desenvolvimento para Xbox Series X|S, Xbox no PC, Steam, PlayStation 5 e Nintendo Switch 2. O jogo também terá suporte ao Xbox Play Anywhere, permitindo que os jogadores aproveitem o título nos ecossistemas compatíveis da Microsoft.
O mapa brasileiro foi anunciado durante a Brasil Game Show 2026, realizada no último fim de semana, e será o quarto de cinco cenários da campanha para um jogador. Durante a feira, o público pôde experimentar o game em diversas estações, mas a fase brasileira ainda não estava disponível para jogar; o cenário apresentado nas demonstrações era o da Alemanha.
A SEGA ainda não confirmou uma data de lançamento para Crazy Taxi: World Tour, mas o título é um dos maiores e mais aguardados lançamentos da empresa. Resta agora esperar por mais oportunidades para testar o jogo para conferir se a fase brasileira faz justiça ao público do nosso país.