Acusado de instalar escutas na OpenAI planejava fugir dos EUA, afirma justiça

O homem preso por instalar um dispositivo de gravação em uma sala de conferências utilizada por executivos da OpenAI estaria se preparando para fugir dos Estados Unidos quando foi detido pelo FBI, de acordo com documento da justiça americana revelado na quarta-feira (14). Ele havia comprado passagem somente de ida para a Arábia Saudita, seu país natal.

Além de Abdulrahman Alfozan, ex-engenheiro da startup, sua esposa e outro membro da família também estavam com bilhetes para viajar ao Oriente Médio, como relataram promotores federais a um juiz. Os detalhes estão no relatório divulgado pelo Gabinete do Procurador dos EUA em São Francisco.

Questionado, o advogado do cidadão de origem saudita, William Pernik, disse que “as alegações parecem totalmente incompatíveis com o caráter deste senhor”. Ele declarou que se manifestará de maneira mais completa nos próximos dias.

Sigilo contribuiu para o sucesso da operação

No documento apresentado à justiça californiana em 8 de outubro, o procurador pediu ao juiz que mantivesse a denúncia criminal contra Alfozan em sigilo, assim como o mandado de prisão. O objetivo era evitar que o suspeito adiantasse a viagem.

  • O voo partindo de São Francisco rumo à Arábia Saudita aconteceria no dia 12;
  • Com o pedido de sigilo acatado, o FBI cumpriu o mandado contra o então funcionário da OpenAI no dia 9;
  • De acordo com o advogado, o líder de Engenharia com foco em agentes de IA e plataforma de dados ficou surpreso com a busca e a detenção;
  • Não se sabe quando as passagens foram reservadas por ele nem o motivo da viagem.
US Department of Justice/Reprodução
Imagens mostram Alfozan durante a instalação da escuta. Foto: US Department of Justice/Reprodução

A partir da prisão, a dona do ChatGPT demitiu o acusado de grampear a sala de reunião. A empresa trabalhava em conjunto com investigadores federais desde a descoberta do dispositivo durante uma varredura de rotina, no dia 30 de setembro.

Conforme a denúncia, o homem instalou o aparelho dois dias antes, planejando a ação por mais de um mês utilizando o popular bot e uma ferramenta interna de IA. A companhia afirma ter um programa de segurança capaz de protegê-la contra uma vasta gama de riscos.

“A ponta do iceberg”

Falando à CNBC sob a condição de anonimato, um ex-funcionário da CIA especializado no Oriente Médio afirmou que a Raed Ventures, empresa da qual Alfozan é sócio, funciona como órgão estatal do governo da Arábia Saudita. O engenheiro ingressou na organização da área de investimentos em fevereiro do ano passado.

Ele também levantou a possibilidade de que a instalação da escuta seja parte de um plano patrocinado pelo Estado. Ainda segundo a fonte, o incidente pode ser apenas “a ponta do iceberg”, prevendo novos capítulos.

Vale lembrar que Alfozan não é acusado de roubo de segredos comerciais ou espionagem corporativa. Ele está detido pelo uso ou tentativa de uso de dispositivo eletrônico, mecânico ou outro para interceptar comunicações e pode pegar até cinco anos de prisão, se condenado.

Siga no TecMundo e confira mais detalhes sobre o caso que agitou a OpenAI nos últimos dias.

Com informações de CNBC e Fortune.