Exclusivos de PlayStation e Nintendo Switch chegam ao PC em ports com auxílio de IA

Projetos de engenharia reversa estão permitindo que jogos originalmente exclusivos de consoles ganhem versões nativas para PC. A nova onda de ports feitos por fãs inclui títulos da PlayStation como Driveclub e The Order: 1886 — além de jogos da franquia Pokémon lançados para Nintendo Switch.

Nas últimas semanas, termos como “descomp” e “recomp” ganharam espaço nas redes sociais entre jogadores interessados em projetos que recriam ou traduzem o código de games antigos. A iniciativa também já levou jogos de consoles para navegadores e abriu novas possibilidades para preservar e executar títulos em plataformas diferentes.

Embora alguns projetos utilizem ferramentas de IA no desenvolvimento, essas versões não são necessariamente criadas inteiramente por IA. Em muitos casos, o trabalho depende de engenharia reversa, ferramentas específicas e contribuições de comunidades que buscam fazer os jogos funcionarem diretamente em computadores modernos.

Driveclub e The Order 1886 ganharam versões nativas para PC

Lançado em 2014 para PS4, Driveclub, da Evolution Studios, ganhou uma versão não oficial para Windows por meio do projeto DriveClub Recomp, publicado no GitHub pelo desenvolvedor OverkillLabs3. A iniciativa executa o código do jogo diretamente no processador do PC, sem recorrer à emulação tradicional da CPU — enquanto traduz os comandos gráficos para a API Vulkan.

A versão oferece suporte a resoluções de 720p até 8K, monitores ultrawide e taxa de quadros desbloqueada. Também substitui o anti-aliasing original por NVIDIA DLAA em placas RTX ou AMD FSR 3.1 em diferentes GPUs, com a possibilidade de alternar entre as opções durante o jogo em hardware compatível.

Segundo o desenvolvedor, o projeto consegue manter cerca de 60 FPS em 4K em cenas exigentes usando uma RTX 5070 Ti e um Ryzen 7 5800X3D. A atualização v0.2.3 também elevou o desempenho em uma corrida de teste de aproximadamente 62 para 71 FPS — embora ainda existam problemas gráficos, compilação de shaders e quedas de desempenho em alguns computadores.

Já The Order: 1886, outro exclusivo de PS4 conhecido pelos seus belos gráficos, também recebeu uma versão não oficial para PC. O projeto ainda está em estágio inicial, mas já pode ser baixado e executado, utilizando o código original do jogo na CPU do computador e o núcleo gráfico do shadPS4 para traduzir comandos para Vulkan.

A versão de The Order: 1886 oferece suporte a mouse e teclado, além de taxas de quadros superiores aos 30 FPS da versão original para PS4. No entanto, ainda apresenta instabilidade, problemas gráficos e limitações de desempenho. O prólogo e o primeiro capítulo parecem jogáveis, mas não há confirmação de que seja possível terminar a campanha nessa versão.

Pokémon Brilliant Diamond, Let’s Go, Pikachu e Let’s Go, Eevee também foram recompilados para PC

A nova onda de recompilações também chegou à franquia Pokémon. Três jogos lançados para Nintendo Switch ganharam projetos para PC recentemente: Pokémon Brilliant Diamond, Pokémon: Let’s Go, Pikachu! e Pokémon: Let’s Go, Eevee!, que podem ser executados sem depender de um emulador convencional.

As versões de Let’s Go, Pikachu! e Let’s Go, Eevee! oferecem suporte a resoluções de até 4K, anti-aliasing SMAA e filtragem anisotrópica 16x. Também há opções para jogar a 30 FPS, experimentar uma taxa de 60 FPS e utilizar mouse e teclado, embora alguns recursos ainda sejam experimentais.

Nintendo/Divulgação
Jogos da franquia Pokémon estão ganhando versões nativas para PC através da engenharia reversa de jogos. Foto: Nintendo/Divulgação

Já a recompilação de Pokémon Brilliant Diamond utiliza a Unity Engine e oferece diferentes configurações gráficas. Entre elas estão modos de exibição em janela ou tela cheia, ajuste da resolução interna e controle da taxa de quadros.

O projeto também inclui opções de avanço rápido entre 2x e 8x, configuração da tecla responsável pelo recurso e personalização dos botões. Assim como nas versões de Let’s Go, o suporte a mouse e teclado permite jogar no computador com controles adaptados à plataforma.

O que são jogos decompilados e recompilados? Entenda a nova onda da indústria

A descompilação é um processo de engenharia reversa que busca reconstruir o código-fonte a partir do arquivo executável de um jogo. Em projetos de preservação, a comunidade analisa o funcionamento do programa e recria sua lógica sem necessariamente distribuir os recursos originais protegidos por direitos autorais, como músicas, imagens e cenários.

Já a recompilação segue outro caminho: em vez de reconstruir todo o código-fonte original, ferramentas específicas traduzem o código compilado para que ele possa ser executado nativamente em uma plataforma moderna. Um exemplo é o N64Recomp, projeto que converte instruções de jogos de Nintendo 64 para código que pode ser compilado em computadores com processadores x86-64 ou ARM64.

A principal vantagem dessas técnicas é permitir que jogos antigos funcionem em hardware atual com menos dependência da emulação tradicional. Ainda assim, cada projeto possui limitações próprias — enquanto a compatibilidade depende do trabalho dos desenvolvedores, dos arquivos utilizados e da implementação de recursos específicos de cada plataforma.

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