
20 out Final Fantasy Resonance é uma carta de amor à franquia
Em seus mais de 38 anos de história, poucos jogos tiveram um impacto cultural tão grande quanto a franquia Final Fantasy. Lançada originalmente como a última chance de seu criador na indústria de jogos, algo até irônico dado o nome final que a obra levaria, a série foi a grande responsável por levar os JRPGs para o mundo ocidental, além de influenciar milhares de títulos que viriam após ela, por seus sistemas de jogabilidade e estrutura narrativa.
Portanto, não é de se espantar que Final Fantasy Resonance, primeiro título da série no estilo HD-2D e baseado no já extinto jogo de celular Brave Exvius, tenha sido recebido com tanta expectativa. Não apenas pelo novo estilo visual, mas também pela possibilidade de podermos lutar ao lado de vários personagens icônicos que a franquia nos apresentou ao longo de toda sua história, e dessa vez longe dos problemas do gênero gacha que víamos no jogo mobile.
Será que Final Fantasy Resonance é só um “rosto bonito” com doses de nostalgia, ou será que temos aqui um título que se sustenta para além disso? Você descobre mais na nossa análise a seguir.
Visuais de tirar o fôlego
Um dos maiores atrativos e pontos de venda de Final Fantasy Resonance é o seu estilo visual, sendo o primeiro HD-2D, onde temos visual pixel art misturado com elementos tridimensionais, na franquia. E aqui posso dizer com facilidade que a entrega faz mais que jus a expectativa. Este é um dos jogos mais lindos que já joguei, e parece elevar o conceito do HD-2D a um novo patamar, em especial nas suas cutscenes que abusam de jogos de coreografia para explorar os efeitos de pixel art junto com o cenário 3D.
Além dos efeitos técnicos proporcionados pelo estilo gráfico, temos também uma direção de arte impecável, algo que é marca da franquia, que reforça ainda mais a qualidade do que vimos na tela. Desde os magníficos cenários, com uma menção especial a cidade aqueduto de Olderion, até os designs dos personagens, tanto em seus sprites quanto em suas ilustrações, toda a parte artística em Final Fantasy Resonance, incluindo uma boa trilha sonora, parece ter sido feito com um carinho especial que se converte diretamente para uma experiência, quase sempre, magnífica.
Infelizmente existe um ponto que impede essa experiência, a meu ver, de ser 100% perfeita: as ressonâncias das visões. Cada um dos personagens de outros títulos que podem ser usados aqui, falaremos mais um pouco como mais para a frente, possuem uma habilidade final devastadora que pode mudar o rumo das batalhas.
Embora todas as outras animações do jogo, incluindo ataques mais cinematográficos como os limit bursts dos personagens jogáveis, sejam em pixel art, por algum motivo esses especiais são representados por animações 3D, com uma qualidade mista. Isso, a meu ver, quebra completamente a imersão e me fazia pulá-las constantemente após vê-las pela primeira vez.
Uma história simples mas efetiva
Para aqueles que jogaram Brave Exvius o enredo aqui vai parecer meio semelhante, visto que Final Fantasy Resonance reconta a história da primeira temporada do jogo mobile. Nela seguimos a história de dois cavaleiros do reino de Grandshelt, Rain e Lasswell, que precisam impedir a destruição dos cristais do reino por um grupo de cavaleiros misteriosos que se denominam Veritas ou Sworn Six. Evitaremos spoilers para aqueles que não jogaram Brave Exvius, mas saibam que a história, apesar de não ter nada muito inovadora, é competente o suficiente para nos manter engajado na jornada e contém alguns plot twists bem interessantes na parte final da campanha.
Um destaque fica para os personagens, tanto os jogáveis quanto os NPCs que nos ajudam pelo caminho. Além do já citado excelente design, que faz um excelente papel em complementar a personalidade de cada um, todos eles são carismáticos e possuem histórias interessantes e que se interligam muito bem com a trama, causando alguns momentos emocionantes mesmo com personagens com pouco tempo de tela.
Visões de um passado glorioso
É claro que todos esses pontos que falamos até agora ajudam a contribuir para a identidade de Final Fantasy Resonance como jogo, mas ainda falta o mais importante: a jogabilidade e o sistema de visões. Sobre o primeiro não há muito mistério: temos um clássico JRPG por turnos, com um sistema de fila de ações que faz com que personagens mais rápidos ajam primeiro e mais frequentemente que os mais lentos, além de outros clássicos elementos da série como Limit Bursts e outro nem tão comum mas igualmente poderoso e importante: a barra de stagger.
Todos os ataques e magias no game possuem dois tipos de dano, o na vida do inimigo e na sua barra de stagger, que, quando quebrada, permite ao usuário que a quebra um turno extra de ação. O impacto de verdade, entretanto, está quando conseguimos quebrar a postura de todos os inimigos ao mesmo tempo, ativando um modo poderoso onde todos os membros da equipe ganham um turno extra e ao final temos a opção de usar uma poderosa habilidade de uma das 4 visões, aquela com 3D estranho que citamos anteriormente, capaz de virar os rumos de uma batalha.
Mas você que talvez não tenha acompanhado os anúncios do título pode estar se perguntando: o que é esse sistema e o que são essas visões? Rain e Lasswell ganham logo cedo na trama a habilidade de sintonizar com ecos de grandes guerreiros de dimensões alternativas e usá-los em combate exatamente como uma persona da série Persona. Se em Brave Exvius aqui tínhamos o sistema de gacha, felizmente em Final Fantasy Resonance essas visões são adquiridas a interagir com cristais espalhados ao longo do cenário.
Antes de recrutá-las, temos uma breve história, feita por meio de perguntas e respostas ao jogador, sobre quem era esse personagem e de qual mundo ele veio, quase que em forma de homenagem aos quase 40 anos da franquia. Caso você seja fã de longa data, tenho certeza que vai abrir um sorriso ao ver algum dos seus jogos favoritos retratados aqui. Essas visões contam com personagens da história de Final Fantasy, desde o Warrior of Light de Final Fantasy 1 até Clive de Final Fantasy XVI, passando por outros nomes de peso como Cloud, Tidus, Zidane e até mesmo Sephiroth, todos com suas habilidades e estilos de luta fielmente recriados.
Além de ser uma experiência incrível jogar com personagens de toda a história da saga, é justamente no sistema que reside boa parte da estratégia e customização do jogo, já que não há a possibilidade de customizarmos as classes, chamados aqui de roles, ou atributos dos personagens apenas suas armas e visões. O grande trunfo está no fato de que, embora as visões também possuam roles próprios, o jogo lhe incentiva constantemente a variar e equipar diferentes opções, já que após alguma experiência com ela seja acumulada, é possível herdar algumas habilidades de uma visão mesmo usando outra.
Isso faz com que achar combinações de visões, mesmo que essas tenham roles diferentes, essencial para fortalecer seu personagem, já que permanecer com apenas uma por todo o jogo é um desperdício de recursos. Tem um personagem Sentinel, o tanque do jogo? Talvez seja uma boa ideia usar uma visão com habilidades de cura para herdá-las e assim ser capaz de melhorar suas habilidades defensivas. No geral o sistema funciona muito bem e traz uma camada de complexidade muito interessante e que aumenta a vida útil do título.
Vale a pena?
Final Fantasy Resonance faz um excelente trabalho em trazer o mundo de Brave Exvius fora do mobile e gacha para um título singleplayer próprio. Com uma exímia direção de arte e um sistema de combate que não só funciona, como serve de homenagem para as quase quatro décadas de história dessa rica franquia, o título é uma excelente recomendação para todos que gostam de JRPGS, e praticamente uma obrigação para os fãs da série da Square Enix.
Nota Voxel: 90
Pontos positivos:
- Direção de Arte
- Sistema de visões e customização
- Personagens e mundo vivo
Pontos negativos:
- Ataques em 3D no meio do título estragam imersão
- Falta de inovação em seus sistemas
- Falta de legendas PT-BR
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Uma cópia de Final Fantasy Resonance foi cedida pela Square Enix para a realização desta review. O jogo chega em 22 de outubro no PC, PS5, Xbox Series S/X e Nintendo Switch 1 e 2.
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