Binance sofre ataque hacker bilionário; veja o que clientes devem fazer

A Binance investiga um incidente de segurança detectado nesta quinta-feira (29). A plataforma flagrou grandes volumes de criptomoedas transferidas de hot wallets, carteiras conectadas à internet, para endereços recém-criados. Cerca de US$ 6,3 bilhões em ativos foram atingidos, dos quais aproximadamente US$ 3 bilhões foram congelados.

A investigação da Binance apontou inicialmente que o incidente de segurança envolveu o notebook comprometido de um engenheiro do time de DevOps da empresa. O dispositivo teria permitido ao atacante acessar o contêiner de um serviço e enviar transações de saque não autorizadas. Posteriormente, as análises apontaram que o ataque envolveu múltiplos fatores e outros pontos de invasão. Mais detalhes ainda não foram compartilhados.

“Foi um ataque complexo, e estamos fazendo tudo o que podemos em coordenação com autoridades policiais para resolvê-lo. Ainda estamos reunindo os fatos e compartilharemos mais diretamente assim que os tivermos”, disse a Binance.

Binance implementou medidas de contenção

Como contenção, a exchange implementou medidas extras de segurança:

  • Suspensão temporária de depósitos e saques: no momento da publicação desta matéria, os depósitos já operavam normalmente, mas os saques continuavam suspensos;
  • Revogação de autorizações: os endereços diretamente afetados tiveram a autorização revogada;
  • Rastreamento dos ativos: a empresa acionou autoridades policiais e “parceiros de inteligência em blockchain” para rastrear e recuperar os fundos.

Segundo a empresa, “os fundos dos usuários estão seguros”. A expectativa é que os saques voltem a operar dentro da janela de até 48 horas anunciada pela plataforma, mas o prazo ainda pode mudar durante as verificações de segurança.

Quem hackeou a Binance?

Até o momento, a Binance não identificou oficialmente os autores do ataque. A empresa de inteligência em blockchain TRM Labs, porém, atribuiu a operação ao TraderTraitor, grupo de hackers associado à Coreia do Norte, com “alta confiança”, a partir de informações obtidas dentro e fora das redes de transações digitais.

De acordo com a TRM Labs, o método do ataque apresenta características semelhantes às de outras operações atribuídas a cibercriminosos norte-coreanos. Na ação contra a Binance, o invasor movimentou cerca de US$ 6,36 bilhões por carteiras da empresa em dez redes de criptomoedas, concentrando a maior parte das transações em 20 minutos.

O TraderTraitor é associado ao conjunto de grupos de hackers conhecido como Lazarus Group, ligado ao governo da Coreia do Norte. Integrantes ligados ao Lazarus também foram relacionados a ataques de grande repercussão, incluindo a invasão da Sony Pictures em 2014.

O que clientes da Binance precisam fazer para se proteger?

Segundo o comunicado publicado pela Binance, não há registros de que chaves privadas das carteiras tenham vazado. Como medida de proteção, a empresa recomenda redobrar a atenção para golpes, confiar apenas em seus canais oficiais e não fornecer informações de acesso à conta a terceiros.

A plataforma afirma que cobrirá todas as perdas por meio do fundo SAFU (Secure Asset Fund for Users) e de recursos próprios. Até agora, a empresa reservou mais de US$ 6,34 bilhões para cobrir o incidente – cerca de US$ 5 bilhões desses recursos já estão alocados nos mesmos tokens que foram afetados.

Os números não incluem ativos congelados ou protegidos, que ainda estão sujeitos a processos de recuperação e verificação. “Atualmente, US$ 3 bilhões foram congelados, graças aos nossos parceiros do setor. Estamos trabalhando com parceiros e autoridades policiais para recuperar esses ativos congelados”.

Dada a notoriedade do incidente cibernético e seguindo boas práticas de segurança, usuários da Binance devem:

  • Desconfiar de mensagens, e-mails ou outras tentativas de contato que aleguem ser da Binance, mesmo quando mencionarem corretamente o incidente ou informações relacionadas à conta;
  • Não recorrer a ferramentas que prometam “recuperar fundos perdidos” da Binance: até agora, não foi anunciada nenhuma solução desse tipo;
  • Não usar ferramentas que prometam liberar o saque de ativos digitais: os saques estão temporariamente suspensos pela própria Binance, e soluções externas que prometam contornar o bloqueio podem ser golpes;
  • Conferir as proteções da própria conta: vale verificar se a autenticação de dois fatores está ativa e ficar atento a acessos ou atividades desconhecidas. Até agora, não há indícios de que credenciais de usuários tenham sido roubadas;
  • Acompanhar a comunicação apenas pelos canais oficiais: como @binance no X e a página oficial de comunicados.

Fora as medidas de proteção pessoal, os usuários da Binance não precisam tomar nenhuma ação para proteger suas criptomoedas neste momento. A empresa afirma que os fundos dos clientes estão seguros e que eventuais perdas serão cobertas pelo SAFU e por recursos próprios.

Em caso de dúvidas ou de atividade suspeita na conta, a recomendação é procurar diretamente o suporte oficial da Binance.

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