Extensão falsa do Claude Code abre brecha para invasão em computadores

Um ataque de cadeia de suprimentos atingiu a loja de extensões do editor de código Cursor nesta quinta-feira (29). Cibercriminosos injetaram códigos maliciosos nas versões 2.1.312 e 2.1.313 da extensão oficial do Claude Code, ferramenta de inteligência artificial (IA) desenvolvida pela Anthropic. O incidente afetou cerca de 5.000 desenvolvedores que atualizaram o software entre a madrugada e o início da tarde, o que expôs computadores que rodam sistemas macOS e Windows.

A brecha ocorreu exclusivamente na loja virtual do Cursor (SpaceXAI). Félix Rieseberg, integrante da equipe técnica da Anthropic, reforçou o ocorrido em uma publicação no X (antigo Twitter): “Trabalhamos com o Cursor neste incidente, mas não foi um comprometimento dos sistemas da Anthropic ou dos laptops dos funcionários. Um ator malicioso usou o acesso ao marketplace do Cursor para publicar uma cópia adulterada da extensão do Claude Code”.

A Anthropic liberou a versão v2.1.314 oficial e limpa do Claude Code no repositório no GitHub. A big tech recomendou que todos os desenvolvedores atualizem o software para garantir um ambiente de trabalho seguro.

O pacote falsificado utilizou a identidade legítima da extensão, porém os golpistas inseriram um carregador malicioso antes do código legítimo da ferramenta. Assim que o usuário abria o editor, o script oculto coletava dados do sistema operacional, nomes de usuário e o e-mail configurado no Git, um programa muito utilizado por profissionais de tecnologia para controlar e historiar as alterações em seus códigos. Em seguida, o arquivo injetava uma chave de acesso não autorizada no computador da vítima e tentava estabelecer um canal de comunicação secreta com um servidor externo.

Cursor remove o marketplace e detalha remediação

A equipe do Cursor respondeu ao incidente retirando a versão comprometida do ar e suspendendo temporariamente o funcionamento de todo o marketplace de extensões por precaução.

Em nota oficial, a empresa explicou que “removeu a versão maliciosa do Marketplace de extensões do VS Code do Cursor assim que ela foi detectada e bloqueou qualquer nova distribuição”. A companhia também conduziu auditorias de acesso, confirmou que nenhuma outra extensão sofreu adulteração, rotacionou chaves de segurança e bloqueou a comunicação com o servidor hospedeiro do ataque.

Reprodução/Open Source Malware
Interface do marketplace do editor de código Cursor, alvo de um ataque de cadeia de suprimentos que distribuiu versões falsificadas da extensão oficial do Claude Code. Foto: Reprodução/Open Source Malware

Apesar da gravidade da injeção de código (a inclusão de comandos maliciosos em um programa legítimo), falhas de programação no script impediram que o acesso remoto funcionasse na maioria dos computadores atingidos.

Pesquisadores do Cursor identificaram que os criminosos precisariam de permissões especiais de administrador no computador da vítima para ativar o sistema de controle à distância, algo que a extensão adulterada não conseguiu obter em grande parte das máquinas macOS e Windows. Nesses casos, a etapa de conexão falhou e os invasores não conseguiram efetuar login.

Reprodução/Open Source Malware
Diagrama técnico detalhando a cadeia de ataques da versão 2.1.313 da extensão do Claude Code, evidenciando o carregador malicioso, a injeção de chave SSH e a tentativa de conexão com a infraestrutura externa. Foto: Reprodução/Open Source Malware

Ainda assim, os especialistas da empresa OpenSourceMalware alertam que a desinstalação da extensão não basta para garantir a segurança da máquina. O pacote malicioso instalou mecanismos autônomos de permanência que continuam rodando sozinhos no sistema. Eles orientam que as empresas afetadas verifiquem se os computadores foram modificados, utilizem os scripts oficiais de limpeza fornecidos pelo Cursor e realizem a troca imediata de senhas, chaves de segurança e tokens de acesso a partir de um dispositivo confiável.

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