OpenAI contrata ex-secretário do Exército dos EUA e amplia atuação no setor de defesa

A OpenAI contratou Dan Driscoll, ex-secretário do Exército dos EUA, para atuar como conselheiro sênior de modernização da segurança nacional. O anúncio foi feito na segunda-feira, 2, cerca de dois meses depois de o executivo deixar o governo de Donald Trump, após divergências com o secretário de Defesa, Pete Hegseth. A contratação ocorre em meio à ampliação dos investimentos da empresa em projetos de inteligência artificial (IA) voltados à defesa e à segurança nacional.

No novo cargo, Driscoll deverá orientar parceiros dos setores público e privado sobre o uso de IA para modernizar políticas e estratégias de segurança. Segundo a OpenAI, o trabalho terá como prioridade o desenvolvimento responsável de aplicações que possam fortalecer a proteção dos EUA e de seus aliados. A empresa afirma que a tecnologia pode ajudar governos a processar grandes volumes de informações, reduzir procedimentos burocráticos e acelerar a tomada de decisões.

A contratação acompanha uma estratégia da OpenAI de ampliar sua presença no mercado de defesa. Em junho de 2024, a companhia levou ao conselho administrativo o general aposentado Paul Nakasone, ex-diretor da Agência de Segurança Nacional (NSA). No mesmo ano, firmou uma parceria com a empresa americana de defesa Anduril para integrar seus sistemas de IA a uma plataforma de identificação de ameaças envolvendo drones. Para Gwanhoo Lee, diretor de Tecnologia da Informação e Análise da American University, a chegada de Driscoll reforça o movimento de aproximação da empresa com órgãos governamentais.

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Dan Driscoll será conselheiro em segurança nacional, enquanto a empresa amplia contratos com o Pentágono. Foto: Alice Labate/Estadão

Durante sua passagem pelo Pentágono, Driscoll participou de iniciativas para modernizar as Forças Armadas, incluindo o desenvolvimento de drones de baixo custo e a ampliação do uso de softwares comerciais pelo Departamento de Defesa.

Também atuou em negociações diplomáticas relacionadas à guerra entre Rússia e Ucrânia. Antes de integrar o governo Trump, trabalhou em empresas de investimento e consultoria. Sua saída do cargo, em setembro, ocorreu após 18 meses de gestão, em meio a desentendimentos com Hegseth sobre promoções militares e o ritmo das mudanças na estrutura de defesa americana.

Contratos levantam questões sobre fiscalização

A contratação também reacende o debate sobre a chamada porta giratória, expressão usada para descrever a passagem de funcionários públicos para empresas privadas que mantêm relações com os órgãos em que trabalharam. Segundo Lee, a proximidade entre ex-integrantes do governo e companhias de IA pode levantar dúvidas sobre a imparcialidade dos processos de contratação pública. O especialista avalia que decisões sobre contratos de defesa devem considerar a qualidade da tecnologia, e não relações pessoais ou profissionais entre executivos e autoridades.

A discussão ocorre em um momento de maior aproximação entre a OpenAI e o Departamento de Defesa. Em junho de 2025, a empresa obteve um contrato de US$ 200 milhões para desenvolver ferramentas de IA voltadas a desafios de segurança nacional. Em fevereiro de 2026, também fechou um acordo para disponibilizar seus modelos nas redes seguras do Pentágono.

Embora tenha estabelecido restrições ao uso da tecnologia, o contrato adotou uma cláusula de utilização dentro dos limites legais americanos, o que gerou questionamentos de especialistas sobre possíveis brechas em temas como vigilância de cidadãos. A OpenAI afirma que os acordos respeitam as leis aplicáveis e que Driscoll e os demais envolvidos cumprirão as restrições legais para ex-funcionários do governo.